Renan Calheiros


Com seu Governo e seu PT no banco dos réus do Mensalão, o presidente Lula parece perturbado e autoprivado de memória ao ponto de considerar seu partido o mais ético do País.
CRISE NO SENADO: VITÓRIA DE PIRRO
Decisão do Senado, em sessão secreta nessa semana, absolvendo e livrando seu presidente de cassação por quebra de decoro parlamentar, é tão soberana quanto à do Supremo, que mandou ao banco dos réus os 40 da quadrilha do PT no escândalo do Mensalão. Mas, ao contrário do julgamento do Supremo, que ganhou o aplauso nacional, o do Senado, salvando Renan Calheiros(PMDB-AL-foto), está sob repulsa do povo brasileiro porque considerado um verdadeiro insulto. Depois de 120 dias sob pressão pública, o resistente e determinado senador, finalmente, ganhou a batalha. Mas não pode se considerar vitorioso porque todos perderam. Ninguém venceu.

Perdeu o presidente do Senado, aparentemente vitorioso. Embora tenha obtido 46 votos favoráveis (incluindo seis abstenções), entre 81 senadores, Renan Calheiros, após três meses de enorme desgaste, com sua vida política e empresarial vasculhada até pela Polícia Federal e sua vida pessoal e familiar exposta ao constrangimento, está fragilizado. Com sua inteligência e sua capacidade de persuasão, poderá até conseguir reconstruir o entendimento e a harmonia no Senado, objetivo ao qual está se dedicando nas últimas horas, em contato com os líderes dos vários partidos. Seu desejo é superar as hostilidades e retomar “a agenda legislativa que interessa ao País”, mas não será fácil. Ganhou fôlego e sobrevida, absolvido da acusação de ter feito pagamentos de contas pessoais com dinheiro da empreiteira Mendes Júnior, na questão do seu relacionamento amoroso com a jornalista Mônica Veloso, mas, agora, além da oposição de quase a metade da Casa, 35 senadores que votaram por sua cassação, Renan ainda vai enfrentar mais três processos por falta de decoro parlamentar: superfatu-ramento de uma empresa da família vendida para a Schincariol; uso de “laranjas” na compra de rádios e jornais; e coleta de propinas para o PMDB em Ministérios. Aliados e adversários querem pressa nesses processos, porém, como permanece a crise, Renan continuará sangrando e sofrendo mais desgastes. Perdeu o Senado, porque sua decisão frustrou a opinião pública nacional. Com sua decisão, o Senado perdeu a oportunidade de se diferenciar da Câmara, completamente desmoralizada depois que absolveu a quadrilha do Mensalão, agora em julgamento pelo Supremo. Passou à sociedade a idéia de que sua soberania vale para tudo, inclusive para decisões contrárias aos princípios éticos e republicanos tão reclamados. Ampliou ainda mais a perda de credibilidade do Congresso e proporcionou mais munição ao plano do PT e do Governo que prevê a extinção do Senado. Perdeu o Governo Lula, que patrocinou a salvação do mandato de Renan Calheiros com o objetivo único e exclusivo de garantir a aprovação da famigerada CPMF. Nada garante que a permanência de Renan na presidência do Senado eliminará a desobstrução da pauta legislativa pela oposição. Isso não está garantido nem mesmo por eventual licenciamento temporário dele e sua substituição pelo vice-presidente Tião Viana, do PT. Afinal é grande a revolta dos 35 senadores, que votaram pela cassação de Renan, contra o Governo Lula, considerado o principal artífice da desmoralização do Congresso, primeiro a Câmara e agora o Senado. E perdeu a sociedade brasileira, ao comprovar, perplexa, que também o Senado, em crise ética como a Câmara, está em descompasso com seus anseios não merecendo respeito como instituição da democracia representativa. Assim, a vitória de Renan e do Governo no Senado, parece igual ao episódio com o Rei de Epiro, vitorioso em Heracléia(280 AC) graças à surpresa causada pelos seus elefantes, numa luta demasiadamente sangrenta, e, depois, fragorosamente derrotado pelos romanos. Exatos 2.287 anos depois, o Senado brasileiro reproduz “uma vitória de Pirro”.
Diante da argumentação do Supremo sobre a quadrilha do PT, é inadmissível Lula ultrapassar o limite da razão, da lógica e da sensatez para contemplar seu partido com benevolência.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva