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FATORAMA
Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 16/09/2007

CONTO DE FADA
m artigo intitulado “A democracia nos divide”, publicado no Estado de São Paulo no dia 26 de agosto, o deputado federal e ex-ministro da Educação de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato (PSDB-SP) argumenta que os analistas que enxergam uma aproximação entre o pensamento e a ação de PSDB e PT, baseados na continuidade pelo governo Lula das políticas públicas tucanas, estão, no mínimo, parcialmente equivocados. Segundo Paulo Renato, tais analistas estariam deixando de perceber uma divisão fundamental entre as duas legendas. O posicionamento diante do modelo democrático. Evidentemente, segue o deputado, o PSDB de forma inconteste se situaria no campo dos que mantém um compromisso firme com a democracia. E, embora admita que não se pode descartar no horizonte próximo alianças entre os dois partidos hegemônicos no cenário nacional no período pós-Constituinte, o ex-ministro afirma que “Lula e o PT precisam oferecer provas de maior apreço pelos valores democráticos” antes que tal parceria pudesse ser concretizada. Tiro no próprio pé. Se há algo que de fato aproxima os dois partidos, ou ao menos seus governos, é o destrato com algumas das linhas principais da demo-cracia.Tal como o PT, o PSDB inundou o Congresso Nacional de Medidas Provisórias, relegando ao Legislativo papel secundário, para não dizer subalterno,





concentrando poderes no Executivo e causando profundos desequilíbrios nas relações republicanas. Tal como Lula, FHC também armou uma ampla maioria parlamentar baseado numa relação promíscua de troca de cargos e favores com aliados. Também de forma semelhante, a administração de FHC foi marcada por severas

denúncias de corrupção, incluindo uma suposta compra de votos para aprovar às pressas sua reeleição. Cujo instituto, diriam muitos, afronta uma das principais bases de uma democracia plural, a rotatividade do poder. Em ambos os governos verdadeiros líderes da base governista no Senado foram sangrados pela evidência da prática de atos indecorosos. Diferentemente de Renan Calheiros, o falecido Antônio Carlos Magalhães preferiu renunciar. Por sinal, o PSDB parecia não se incomodar com a falta de “apreço pelos valores democráticos” dos cole-gas de então PFL que no passado integraram a Arena e sustentaram a ditadura militar. Isso nunca impediu os dois partidos de caminharem juntos. Ambas os governos também não hesitaram em tentar de todas as formas possíveis impedir ou limitar CPIs que pudessem abalar a imagem de suas respectivas administrações e partidos, cometendo falta grave com a transparência, outro princípio democrático básico. Ora, o PSDB, eterno governo em São Paulo, assim o faz por lá até hoje. Nem mesmo o velho “espelho, espelho meu” serve mais para ilustrar as semelhanças. Não se trata de conto de fada. É o drama trágico da vida política nacional. Sem brancas de neve nem príncipes encantados. Alguém aposta num final feliz?

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

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