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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 15/07/2007

O Etanol Sujo Do Brasil e a Hipocrisia dos Europeus
jornal espanhol ‘El Mundo’ afirmou, após a reunião em que o presidente Lula, na Bélgica, fez a defesa do álcool de cana como o ‘biocombustivel’ do século 21 (afinal se o Chávez tem o ‘socialismo do século XXI, nós podemos ter o combustível, não é mesmo?), que os países da União Européia não querem “etanol sujo” do Brasil. É uma referência à desconfiança do bloco dos 27 paises europeus em relação às práticas de cultivo de açúcar brasileiras. O governo brasileiro respondeu com argumentação de ordem técnica. Faltou no entanto alguém lembrar o caráter eminentemente ‘colonialista’ do comentário do jornal espanhol. Até que surgiu o colunista Carlos Brickmann lembrando, com propriedade que “mudam os tempos, não muda a Europa”. Em outras épocas, os europeus ocuparam a América para introduzir goela abaixo nos ‘selvagens’ os valores do cristianismo e outros que, na época, significavam ‘a modernidade’. Hoje, a União Européia diz defender os trabalhadores do setor canavieiro do Brasil.”. Pura hipocrisia. A imprensa registrou a posição européia, mas faltou contextualizar o problema. Como nos tempos das caravelas, os ‘homens brancos’ usam





belos argumentos para disfarçar o colonialismo. Seu objetivo nunca foi difundir o cristianismo, mas sim manter submissos os países que possam pôr em xeque alguma riqueza européia. A proteção que europeus (e também os

norte-americanos) dão aos seus agricultores através de subsídios, essa sim é uma manobra ‘suja’. Graças a ela, impõem um regime de miséria e até de fome a milhões de criaturas do Senhor, seja na América Latina, na África ou na Ásia, impondo restrições à importação de alimentos de países em desenvolvimento. Claro que nós temos, no setor de produção de cana, dezenas de situações de trabalho que comprometem a dignidade das pessoas. Temos inclusive trabalho escravo. Mas precisamos manter o alerta diante do farisaísmo de países que combatem o etanol brasileiro (entre eles a Venezuela do coronel Chávez e Cuba, do comandante Fidel) que, para proteger a atual estrutura de comércio de combustíveis, que os beneficia, tentam destruir o álcool. O ‘La Repubblica’ reconhece que o combate ao trabalho forçado no Brasil aumentou nos últimos anos, mas ressalva que o “espetacular aumento da produção de cana-de-açúcar” levanta preocupações em relação ao tema. Deveria ter acrescentado que os recursos que o etanol poderá trazer para o Brasil têm tudo para fazer com que as condições de trabalho nas usinas de cana finalmente deixem de ser “degradantes”.

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