jornal
espanhol ‘El Mundo’ afirmou, após a reunião em que o presidente Lula, na
Bélgica, fez a defesa do álcool de cana como o ‘biocombustivel’ do século
21 (afinal se o Chávez tem o ‘socialismo do século XXI, nós podemos ter
o combustível, não é mesmo?), que os países da União Européia não querem
“etanol sujo” do Brasil. É uma referência à desconfiança do bloco dos 27
paises europeus em relação às práticas de cultivo de açúcar brasileiras.
O governo brasileiro respondeu com argumentação de ordem técnica. Faltou
no entanto alguém lembrar o caráter eminentemente |
‘colonialista’ do comentário do jornal espanhol. Até que surgiu o colunista
Carlos Brickmann lembrando, com propriedade que “mudam os tempos, não muda
a Europa”. Em outras épocas, os europeus ocuparam a América para introduzir
goela abaixo nos ‘selvagens’ os valores do cristianismo e outros que, na
época, significavam ‘a modernidade’. Hoje, a União Européia diz defender
os trabalhadores do setor canavieiro do Brasil.”. Pura hipocrisia. A imprensa
registrou a posição européia, mas faltou contextualizar o problema. Como
nos tempos das caravelas, os ‘homens brancos’ usam |
belos argumentos para
disfarçar o colonialismo. Seu objetivo nunca foi difundir o cristianismo,
mas sim manter submissos os países que possam pôr em xeque alguma riqueza
européia. A proteção que europeus
(e também os
|
norte-americanos) dão aos seus agricultores através de subsídios, essa sim
é uma manobra ‘suja’. Graças a ela, impõem um regime de miséria e até de
fome a milhões de criaturas do Senhor, seja na América Latina, na África
ou na Ásia, impondo restrições à importação de alimentos de países em desenvolvimento.
Claro que nós temos, no setor de produção de cana, dezenas de situações
de trabalho que comprometem a dignidade das pessoas. Temos inclusive trabalho
escravo. Mas precisamos manter o alerta diante do farisaísmo de países que
combatem o etanol brasileiro (entre eles a |
Venezuela do coronel Chávez e Cuba, do comandante Fidel) que, para proteger
a atual estrutura de comércio de combustíveis, que os beneficia, tentam
destruir o álcool. O ‘La Repubblica’ reconhece que o combate ao trabalho
forçado no Brasil aumentou nos últimos anos, mas ressalva que o “espetacular
aumento da produção de cana-de-açúcar” levanta preocupações em relação ao
tema. Deveria ter acrescentado que os recursos que o etanol poderá trazer
para o Brasil têm tudo para fazer com que as condições de trabalho nas usinas
de cana finalmente deixem de ser “degradantes”. |