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Crise no Senado
com Renan e Roriz poderá romper
coalizão de Lula
acusados de quebra do decoro parlamentar por envolvimento em operações financeiras ilegais. Renan, por ter feito pagamentos de pensão destinada à jornalista Mônica Veloso, com que tem uma filha, com dinheiro supostamente originário da empreiteira Mendes Júnior. Roriz, por ter obtido empréstimo de R$ 300 mil junto ao empresário Nenê
aso dirigentes e líderes PT no Congresso resolvam abandonar a defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como estão sinalizando, diante do tumultuado processo de investigação do senador no Conselho de Ética e da crescente onda de denúncias, o problema deixará de ser apenas do PMDB e poderá virar uma questão de Governo. Dirigentes e líderes do PMDB já estão avisando: o maior partido da coalizão de Lula no Senado, com 20 parlamentares, não aprovará projetos de interesse do Executivo abrindo uma crise dentro do Governo. Essa posição do PMDB ficou clara após renúncia do presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (PT-AC), que tentou forçar uma definição do julgamento, pondo em votação o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PMDB-MA), mesmo sabendo que Renan não teria votos suficientes para encerrar o caso. Cafeteira deixou o cargo por motivos de saúde, depois de recomendar o arquivamento do processo. Foi substituído pelo senador Wellington Salgado(PMDB-MG), que também abandonou a função. Sibá Machado não conseguiu um novo relator e o processo ficou parado durante toda essa semana no Conselho de Ética. Como o DEM, que tem a segunda maior bancada no Senado, de 17 parlamentares, resolveu radicalizar pedindo o afastamento de Renan Calheiros da presidência da Casa até o desfecho das investigações e poderá ser acompanhado pelo PSDB, dirigentes do PMDB avaliam que o abandono do PT deverá gerar um enfraquecimento nas forças que apoiam o Governo Lula. Para agravar a situação, o PMDB também está com outro senador, Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, que não tem o apoio do PT, sendo investigado e ameaçado de processo no Conselho de Ética do Senado. Embora em circunstâncias e procedimentos diferentes, Renan e Roriz são

Constantino, descontado de um cheque dele, de R$ 2,2 milhões, do Banco do Brasil e sacado em agência do BRB-Banco de Brasília. Em pronunciamento como presidente do Senado, Renan apresentou farta documentação

sem recursos públicos, entre pessoas físicas e jurídicas privadas”. Defendeu-se também na tribuna do Senado. Esclareceu que o detalhamento do seu diálogo com o ex-presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura, em 13 de março
comprovando que o pagamento da pensão de R$ 12 mil mensais foi feito com recursos próprios, a partir do rendimento da venda de gado de suas fazendas em Alagoas que atingiu R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. Mas laudo preliminar da Polícia Federal apontou inconsistências em notas fiscais referentes à venda do gado gerando controvérsias e novas denúncias. Renan rebate tudo dizendo-se vítima de um “esquadrão da morte moral”. Já o ex-governador Joaquim Roriz passou a semana se defendendo através de notas oficiais, rechaçando, com veemência, “as tentativas criminosas de confundir uma negociação normal,
deste ano, gravado pela Polícia e vazado para a imprensa, deu-se pela necessidade de se resgatar em espécie o cheque de R$ 2,2 milhões emitido pela empresa Agrícola Xingu S/A ao empresário Nenê Constantino para que desse total fosse cedido R$ 300 mil em forma de empréstimo. Conforme Roriz, o dinheiro foi aplicado na compra de uma bezerra junto à Associação de Ensino de Marília, São Paulo. Embora tenha apresentado documentação comprovando tudo, tanto o empréstimo como a aquisição do animal, Roriz está sendo colocado sob suspeita porque seu diálogo gravado foi com o então
presidente do BRB, Tarcísio Franklin, que já foi preso e liberado, acusado pela Polícia e pelo Ministério Público de ser chefe de uma quadrilha que desviou aproximadamente R$ 50 milhões do Banco de Brasília. Mas Roriz tem sustentado, enfaticamente, que a movimentação financeira que realizou não tem qualquer ligação com a Operação Aquarela que acabou prendendo 20 pessoas, inclusive dirigentes do BRB, por crimes contra a administração pública, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Desdobramentos dessa crise no Senado e Governo vão fazer os próximos dias em Brasília bastante agitados.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva