| Polêmica
sobre posse e investigação do sucessor de Roriz no Senado, ex-deputado Gim
Argello, está gerando novos debates que justificam a necessidade de urgente
reforma política no Brasil. |
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Crescente
polêmica em torno da posse do sucessor de Joaquim Roriz, no
Senado, que renunciou para se livrar da cassação, está gerando
novos debates que apontam para a urgência de reforma política
no Brasil: ex-deputado distrital de Brasília e ex-presidente
da Câmara Legislativa do DF, Gim Argello(Foto), vice-presidente
do PTB-DF, ao assumir como senador, pode ser acusado de quebra
de decoro parlamentar e investigado por eventuais atos ilícitos
praticados antes de sua posse? Ou, empossado e com imunidade,
estará livre de eventuais delitos cometidos, anteriormente,
passando a exercer seu mandato sem qualquer impedimento ético?
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Sem ter ainda chegado ao Congresso, Gim Argello está, desde
5 de julho, dividindo os holofotes nacionais com o presidente
do Senado, Renan Calheiros, sob investigação por quebra do decoro
parlamentar, acusado de ter feito pagamentos pessoais com dinheiro
de empreiteira. Sobre Gim pesam graves denúncias e a mais recente
relaciona-se com a Operação Aquarela, que prendeu 20 pessoas,
inclusive o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin
de Moura, e envolveu e forçou à renúncia o senador Joaquim Roriz.
Do mesmo cheque de R$ 2,2 milhões, do Banco do Brasil, emitido
em nome do presidente da Gol Linhas Aéreas, Nenê Constantino,
e descontado em março passado no BRB, do qual Roriz ficou com
R$ 300 mil, segundo ele por empréstimo, Gim Argello, suplente
do ex-senador, é suspeito de ter |
ficado com R$ 500 mil. Pelas investigações da Polícia, Gim Argello
pode ter recebido esse dinheiro como propina por seu empenho
na aprovação, pela Câmara Legislativa, em dezembro de 2006,
do projeto alterando a destinação de lote ao lado do Sudoeste,
comprado pelo ex-deputado distrital Wigberto Tartuce, em abril
de 2006, por R$ 15 milhões. Com a mudança, o terreno foi revendido,
menos de um ano depois, por R$ 47 milhões para uma empresa ligada
ao empresário Nenê Constantino. Segundo as mais novas versões,
o valor pago teria sido, na verdade, R$ 60 milhões, ficando
R$ 13 milhões para os que ajudaram no negócio milionário. Para
a Polícia, Gim Argello teve participação decisiva nessa operação
de venda do terreno de 80 mil metros quadrados e que vale hoje
mais de R$, 120 milhões. Nada foi comprovado |
ainda contra ele que, culpado ou inocente, está apenas sob investigação.
Mesmo assim, embora 120 deputados e 28 senadores tenham processos
na Justiça, pelos mais diversos delitos, muitos inclusive anteriores
aos mandados, Gim virou uma dose polêmica que está deixando
o Senado dividido e tonto: alguns senadores defendem que qualquer
parlamentar de conduta ética sob suspeita pode e deve ser investigado
sobre seus atos ilícitos antes de assumir mandato; outros consideram
isso simplesmente insustentável e inaceitável. Sem regra definida
e clara, fica aberta a porta da impunidade: não importam falcatruas,
negociatas, maracutaias e crimes anteriores ao mandato. Resultado:
como o Congresso não é capaz de transformar aéticos em éticos,
acaba abrigando mensaleiros, sanguessugas, |
vampiros e outros gatunos aloprados. É nisso que dá uma democracia
de financiamento privado num eleitorado despolitizado, desinformado
e que não sabe votar, como o do Brasil: uma democracia cheia
de desvios éticos. Escolhidos como representantes do povo passam
a ser representantes de interesses de grupos econômicos e, às
vezes, até de quadrilhas criminosas. Daí a necessidade urgente
de reforma política com financiamento público e sem imunidade
parlamentar. Que obrigue os partidos a indicarem às eleições
apenas candidatos de folha corrida limpa e reputação ilibada
para que o povo não eleja oportunistas e trambiqueiros que envergonham
a Nação. Somente assim, o Congresso voltará a ter a dignidade
e a credi-bilidade que um dia teve com Rui Barbosa, causando
orgulho ao Brasil. |
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Somente
com financiamento público das campanhas, candidatos de comprovada reputação
ilibada e fim da imunidade parlamentar, Congresso Nacional voltará a ter
dignidade e credibilidade. |