 |
“A
ministra Dilma nunca me deu uma ordem direta, mas fui fortemente questionada
e contestada”. Com esta declaração, em depoimento à Comissão de Infra-Estrutura
do Senado, nessa semana, a ex-diretora da Anac-Agência Nacional de
Aviação Civil, Denise Abreu, praticamente tirou a ministra Dilma Rousseff
do foco principal no escândalo de venda ilegal da Varig. Gerou um
anticlimax, pois em sua denúncia feita à imprensa dizia, claramente,
ter sofrido pressão da chefe da Casa Civil para evitar problemas nos
procedimentos de venda da empresa área. Com isso, Denise Abreu quase
que eliminou a possibilidade de criação da uma CPI para o caso. Entretanto,
a ex-diretora da Anac colocou no lugar da ministra, no centro do escândalo,
velho amigo e compadre do presidente Lula, o advogado Roberto Teixeira:
“As ingerências praticadas pela Casa Civil e a forma truculenta como
o escritório Teixeira Martins(do advogado Roberto Teixeira) atuou
na Anac são, no mínimo, imorais, que podem gerar uma ilegalida |
de”. Segundo ela, por pressões da Casa Civil, toda a documentação
do escritório de Teixeira foi agilizada na Anac para permitir a nova
Varig voar em tempo recorde. Embora tenha entregue à comissão do Senado
uma mala com 30 quilos de documentos e descrito quatro encontros no
Palácio do Planalto, com a ministra Dilma Rousseff e até com o presidente
Lula, sobre solução da crise da Varig, Denise Abreu não apresentou
nenhuma prova de suas denúncias. Já o ex-presidente da Anac, Milton
Zuanazzi, em depoimento à mesma comissão do Senado, também aliviou
peso da denúncia contra a ministra da Casa Civil declarando que “não
houve pressão, mas pressa” porque qualquer demora levaria a Varig
à falência. Enquanto os depoimentos de Denise e Zuanazzi rolavam nos
Congresso, o presidente Lula, em encontro com o governador do Rio,
Sérgio Cabral, e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, no Palácio
do Planalto, abria o jogo: “Dilma é o nome do PT para 2010”. |
Comissão
do Senado ouvindo Denise Abreu
|
|
Em seu
depoimento no Senado, Denise
Abreu aliviou
Dilma Rousseff dizendo que
não recebeu
pressão ou
ordem direta
dela no caso
da venda ilegal
da Varig
|
Ex-presidente
da Anac, Milton Zuanazzi
|