Fontana & Rands


Governo liberou mais de R$ 670 milhões em emendas parlamentares para conseguir a vitória apertada de 259 votos na Câmara, apenas dois a mais do que era necessário, na recriação da CPMF.
GOLPE ABSURDO CONTRA O POVO

Mesmo com o PIB crescendo 5,8% e a arrecadação federal superando R$ 36 bilhões, somente no primeiro trimestre deste ano, devendo superar os R$ 70 bilhões até junho, deixando os cofres do Governo Lula abarrotados, 259 deputados aprovaram, nessa semana, a recriação da antiga CPMF, disfarçada de CSS-Contribuição Social para a Saúde, com alíquota de 0,10% sobre toda e qualquer movimentação financeira. Golpe foi comandado pelos líderes do Governo, deputados petistas Henrique Fontana(RS) e Maurício Rands(PE), em choque direto com a vontade de 80% dos brasileiros que já se manifestaram contra o imposto.

Com essa nova CPMF, a ser cobrada a partir de janeiro de 2009, o Governo Lula espera ter uma arrecadação anual de R$ 11 bilhões para aplicar na Saúde. Como o orçamento da Saúde fica em torno de 7% da receita bruta da União – algo estimado em R$ 54 bilhões para 2009 – o setor seria contemplado com R$ 65 bilhões. Esse é o dinheiro que o Governo deseja ter para resolver os graves problemas que atingem a Saúde Pública no Brasil. Seria uma equação fácil e aceitável pela população brasileira se o Governo não estivesse gastando demasiadamente, mais do que tem arrecadado, e se o País já não sofresse tanto para carregar nas costas a mais pesada carga tributária do mundo, perto dos 40% do PIB. Além disso, Saúde Pública é um direito de todos os cidadãos e obrigação do Estado, sendo repudiável que o Estado queira transferir sua obrigação para os cidadãos. Daí a rejeição de quase toda a sociedade ao famigerado imposto. Diante disso, para superar constrangimentos e preocupações eleitorais, o Governo usou a sua arma mais poderosa de convencimento aos deputados da Câmara: abriu os cofres. Somente nos primeiros dez dias de junho liberou R$ 280 milhões em emendas parlamentares. Liberou também restos a pagar dos orçamentos dos últimos dois anos: mais R$ 97 milhões em junho somados aos R$ 236 milhões de maio, relativos ao orçamento de 2007, e mais R$ 57 milhões, em junho, do orçamento ainda de 2006. Por baixo, liberou R$ 670 milhões em emendas parlamentares desde o início das negociações para recriação da CPMF. Com tanto dinheiro à vista, o resultado apareceu na votação dessa semana na Câmara onde 259 deputados criaram a CSS. Aprovada novamente pela Câmara, depois de ter sido extinta pelo Senado em dezembro de 2007, a odiada CPMF, agora batizada de CSS, deverá novamente ser abolida pelo Senado. Primeiro, porque o Governo já teve muita dificuldade para vencer na Câmara. Conseguiu por apenas dois votos de diferença, pois eram necessários 257. É um resultado apertado e até surpreendente para o Governo pois sua base aliada diz contar com 350 deputados. Isso significa que houve uma dissidência de, no mínimo 91 deputados, incluindo petistas, que decidiram não votar contra a população num ano de eleições municipais. Foi o que orientou 159 que rejeitaram a CSS do total de 418 em plenário. Segundo, porque o Senado sempre é mais sensível aos interesses da sociedade brasileira. Nova vitória do Governo prova que o rolo compressor funciona com eficácia sobre os deputados, principalmente sobre os que estão mais preocupados com os seus negócios pessoais deixando de lado os interesses da população. Resta esperar agora para conferir o que o Governo vai fazer no Senado, onde serão necessários 41 votos, para evitar uma repetição da derrota que sofreu em dezembro passado. Não vai ser fácil. Pelas mais recentes pesquisas, o Congresso está em último lugar em credibilidade pública entre as instituições brasileiras. Senadores querem sair do fundo do poço e salvar o Congresso, ao contrário dos deputados que não estão nem aí mesmo agraciados com os certificados populares de caras-de-pau.
Agora é esperar o que o Governo vai fazer no Senado, onde precisa de 41 votos, para evitar uma repetição da derrota que sofreu em dezembro do ano passado quando a famigerada e odiada CPMF foi extinta.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva