esde
que foi publicada a minha entrevista à Veja, tomei a decisão
de tornar públicos e transparentes quaisquer desdobramentos
dela decorrentes. De jogar luz onde o jogo é de sombras e escuridão.
Foi assim que fiz ao falar da tribuna sobre o meu afastamento
da Comissão de Constituição e Justiça desta Casa, determinado
pela liderança do PMDB. Esse mesmo procedimento adotei dia 5
do corrente mês quando recebi a informação de que estava sendo
vítima de uma “arapongagem” em Pernambuco. Diversos órgãos de
Imprensa informaram que adversários iriam divulgar meus, supostos,
“podres”. Jornalistas aqui de Brasília foram “inundados” de
insinuações e denúncias baixas e agressivas contra a minha pessoa.
Uma prática que expressa o tamanho da mediocridade a que estamos
submetidos. O relato feito por Veja nesta semana corresponde
aos fatos: um especialista pernambucano em “inteligência” procurou-me
para informar que tinha sido contatado para uma investigação.
Essa investigação teria como responsável uma empresa internacional,
famosa por seu envolvimento em litígios |
corporativos. No entanto, quando soube que eu era o alvo do
“contrato”, ele preferiu não aceitar a missão. Não tenho razões
para acreditar que o investigador que me procurou tenha inventado
toda a história. Infelizmente, o cidadão brasileiro hoje não
tem a mínima segurança de que não está tendo a sua vida bisbilhotada
de forma ilegal. O Brasil se transformou no paraíso da arapongagem
criminosa e sem controle, basta ler a reportagem de capa da
última edição da Veja, que revela detalhes da “arapongagem”
realizada ilegalmente no esteio da Operação Satiagraha. Diante
desse quadro, minha intenção era a de fazer esta comunicação
ao Senado para exigir da Presidência as providências necessárias,
junto à Polícia Federal, para que tudo fosse devidamente esclarecido.
Foi, entretanto, com surpresa que, ao chegar a Brasília, constatei
a agilidade do Presidente Sarney em provocar não só a Polícia
Federal (o que fez pessoalmente em seu Gabinete) como também
o Ministério Público e a Corregedoria do Senado, que, com rapidez
digna de registro, instaurou sindicância e comunicou o fato
ao meu Gabinete antes mesmo da leitura do ofício em |
Jarbas Vasconcelos*
|
"Como tenho dito,
nada temo e
estou pronto para
debater qualquer
fato relacionado à
minha vida
pública”
|
Plenário.
Tudo isso mereceria meu sincero elogio, não fosse por dois reparos
que merecem ser feitos: O ofício do senhor Presidente, Senador
José Sarney, ao Dr. Antonio Fer-nando de Souza, Procurador-Geral
da República e ao Ministro da Justiça, Tarso Genro, não retrata
a verdade dos fatos. Procura, não sei com que objetivo, distorcer
a matéria da Veja, e por consequência, minhas declarações ao
afirmar que denunciei uma |
investigação contratada por integrantes do PMDB. Não fiz em
momento algum esta declaração, não citei o Partido, sua direção
ou qualquer de seus integrantes, apesar de haver sido ameaçado
publicamente por vários deles. Só acusaria alguém se possuísse
provas e custo a acreditar que tal iniciativa pudesse ter origem
no Senado Federal. O segundo reparo que tenho a fazer às providências
adotadas por Sua Excelência diz respeito à iniciativa e agilidade
adotadas neste caso, em detrimento de tantos outros que ocorreram
nos últimos tempos. Espero que não só este Senador, mas todos
os demais tenham o privilégio de contar em seu favor com o interesse
da Presidência do Senado em usar de todos os instrumentos a
seu alcance para restabelecer a verdade dos fatos quando integrantes
desta Casa e seus familiares mais próximos forem vítimas de
escuta clandestina ou vazamento de investigações da Polícia
Federal e do Ministério Público. Este é o caso de fatos ocorridos
durante o desgastante episódio envolvendo o então Presidente
Renan Calheiros, no segundo semestre de 2007. Mas há também
a denúncia |
sobre a operação de espionagem contra os Senadores Marconi Perillo
e Demóstenes Torres. E o documento apócrifo distribuído nos
gabinetes do Senado para denegrir a imagem do saudoso colega
Jefferson Péres. Além disso, ainda falta esclarecimento sobre
o episódio denunciado da contratação de detetives para bisbilhotar
a vida do nobre senador Marconi Perillo. E o mais grave da denúncia:
arapongagem contratada pelo Senado Federal. O que todos esses
casos têm em comum? Ninguém foi punido, não houve uma solução,
e para todos os envolvidos, o crime compensou. Solicito à Presidência
informações sobre todos esses episódios, pois o Senado Federal
só terá legitimidade para questionar ações que ocorrem fora
desta Casa quando apresentar à opinião pública – com absoluta
transparência – um desfecho para esses casos insolúveis. Como
tenho dito, nada temo, estou pronto a debater qualquer fato
relacionado à minha vida pública. Só lamento que alguns de meus
pares não tenham a coragem e a dignidade de fazer o mesmo.
*
Jarbas Vasconcelos,
senador pelo PMDB de Pernambuco
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