Armando Monteiro


Se o Banco Central brasileiro não baixar os juros, urgentemente, para até 8% ou menos, vai continuar queda do PIB, dos investimentos, da indústria e dos empregos, levando o Brasil à recessão.
PRÓXIMO TOMBO: ABISMO DA RECESSÃO
Ou o Banco Central brasileiro corta os juros, rapidamente, para até 8% ao ano ou o Brasil vai cair mesmo, inevitavelmente, no abismo da recessão. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), Armando Monteiro Neto(foto), depois do tombo brusco e violento de 3,6% do PIB brasileiro no último trimestre de 2008, o corte nos juros de 1,5 ponto percentual, adotado nessa semana pelo Comitê de Política Monetária do BC, foi frustrante. Segundo ele, ao não acelerar a queda dos juros de acordo com a necessidade do momento imposta pela crise, o Banco Central demonstra estar em descompasso com o esforço para evitar a recessão”.

Para o presidente da CNI, o Banco Central apenas avançou um pouco ao fixar a taxa Selic em 11,25% ao ano, mas é um avanço insuficiente diante os efeitos da crise financeira global no Brasil, principalmente queda de investimentos, queda de produção industrial, queda de vendas no comércio, queda de consumo das famílias, queda dos níveis de emprego. Como outros líderes empresariais do País, Armando Monteiro está preocupado com o conservadorismo do Copom diante do agravamento da crise e alerta para a necessidade de mais ousadia. Está coberto de razão o presidente da CNI. Mesmo com o novo corte de 1,5 ponto percentual, a taxa real de juros no Brasil, descontada a inflação de 4,5% projetada para 2009, fica em 6,5% ao ano, ainda a maior do mundo, conforme o ranking atual dos dez países de taxas mais elevadas: Hungria, 6,2%; Argentina, 4,3%; China, 4,3%; Turquia, 3,5%, Taiwan, 2,6%; Colômbia, 2,4%; África do Sul, 2,2%; Tailândia, 1,6%; e Portugal, 1,2%. Diante do colapso financeiro, as principais economias do mundo estão baixando seus juros para próximo de zero. Alguns governos, como o do Japão, até já admitem emprestar dinheiro de graça aos consumidores para estimular a economia.Só não fizeram isso ainda porque ainda não descobriram como não cobrar pelo dinheiro emprestado, mas estão estudando. Em conseqüência da crise, a Inglaterra já tem seus juros mais baixos em 300 anos, taxa de 0,50% ao ano. Nos Estados Unidos, o Banco Central cortou a taxa para 0,25%. Seguem o mesmo caminho os países da Comunidade Européia, onde os juros baixaram para 1,50%. Embora países emergentes, como o Brasil, estejam cautelosos tendo em vista pressões dos preços e possível aumento da inflação, o economista-chefe da ONU para comércio e desenvolvimento, Heiner Flassbeck, garantiu nessa semana: “Não há risco de pressão inflacionária em nenhuma parte do mundo. Todos têm capacidade de cortar as taxas de juros”. Por tudo isso, Armando Monteiro defende mais ousadia do Banco Central brasileiro porque esse corte de apenas 1,5 ponto per-centual não poderá evitar a recessão no Brasil. Pelo contrário, como advertem os principais líderes empresariais do País, os juros ainda muito altos, na liderança do ranking mundial, deverão agravar a crise com paralisação de investimentos industriais e aumento de desemprego. Basta lembrar que, depois da eclosão da crise, mais de 1 milhão de trabalhadores já perderam seus empregos nos últimos cinco meses. Somente na indústria de São Paulo foram eliminadas 162 mil vagas entre dezembro e janeiro. Além do Banco Central ter que acelerar, urgentemente, a queda de juros, o Governo precisa também baixar os preços de um dos principais componentes da inflação para que ela possa ficar em tendência de queda. Por que, numa crise desse tamanho, o Governo não baixa os preços dos combustíveis? Mais do que incompreensível, é inaceitável que o petróleo tenha caído de US$ 130 para US$ 40 barril e os brasileiros permaneçam pagando gasolina 60% mais cara do que no Golfo Pérsico. Se o Governo não fizer essas duas coisas, o próximo tombo do Brasil já vai ser no abismo da recessão.
Além de baixar os juros para níveis suportáveis diante dessa grave crise, o Governo precisa também baixar os preços dos combustíveis que, enquanto o petróleo cai no mundo, permanecem, inexplicavelmente, altos.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva