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Das árvores pintadas, as folhas não caem, nem os brotos frutificam.
O novo Presidente, Ubiratan Aguiar, os Ministros, não carecem
de que eu fale do significado da Corte. Todos sabem o que definiu
Rui Barbosa: Tribunal de Contas é “corpo de magistratura intermediária
à Administração e à Legislatura” e que, “colocado em posição
autônoma, com atribuições de revisão e julgamento, cercado de
garantias contra quaisquer ameaças”, deve “exercer as suas funções
vitais no organismo constitucional”. Rui Barbosa disse tudo
e o essencial, ou seja, onde se situa esse ente autônomo, revisor
e julgador, inerente à democracia. Como será bom que o novo
Presidente do TCU, que tem toda a competência para fazer um
chamamento dessa espécie, tenha as condições de proclamá-lo,
pois seu conhecido instinto de homem público, há muito completou-se
em consciência. Santo Agostinho falou que a memória é a casa
da alma e Pascoal completaria ao dizer que o futuro é a aurora
do passado. Apelo à memória do novo Presidente, homem provado
em espumas e areias lavadas de sal e |
sol. Homem que sabe que a gente fica, ainda que a gente vá.
Apelo ao novo Presidente para, da cadeira em que sentou, com
tanto merecimento, atente às suas origens. Pouco tempo terei
ainda de Casa. Por isso, vejo rara essa oportunidade de repetir
alto e bom som, como obsessão ostensiva, que o Nordeste brasileiro
nunca será um capítulo de pessimismo, nem é apenas paisagem,
além de que o nordestino não pode ser condenado a ser apenas
gente do pouco. Merecemos ser, quando não gente do muito, pelo
menos gente remediada. Não posso perder esta oportunidade. Digo
com consciência, algum desconforto e entalado entre o ontem
e o amanhã, no entanto, jamais desiludido. Carecemos da nossa
terra, como origem e destino. Temos responsabilidade com ela.
Este começo de milênio pode ser adequado instante seminal para
as propostas de maior dinamização da estratégia de seu planejamento.
Espera-se que a complexa realidade do sistema social, dos desequilíbrios,
a parte que a Região representa de um todo maior – o sistema
social – tudo seja melhor considerado. E que a sua inserção
no sistema nacional se faça de modo funcional e convergente,
sem perda |
Marcos Vilaça*
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"A consciência nacional precisa extinguir as tentativas
insidiosas de nela se implantarem “mitos incapacitantes”
com relação ao povo do Nordeste”
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dos nossos
avanços. A consciência nacional precisa extinguir de vez por
todas com as tentativas insidiosas de nela se implantarem “mitos
incapacitantes” com relação ao Nordeste, como região, e ao nordestino,
como povo. Extinguir também os clichês mentais depreciativos
sobre o Nordeste: o de que o seu desenvolvimento auto-sustentado
é impossível; o de que, no semi-árido, a agricultura é inviável;
o de que os recursos públicos destinados à Região são invariavelmente |
malbaratados; o de que a população regional degrada-se rapidamente
em sub-raça de nanicos ociosos e imbecilizados. As outras regiões
não podem ignorar que o Nordeste responde aos incentivos à industrialização
com desempenho satisfatório; que a agricultura moderna, no semi-árido,
é factível tecnicamente e rentável economicamente; que a Região
pode evoluir significativamente no social. Lembra bem o professor
Roberto Cavalcanti de Albuquerque: “o ideário que deve orientar
o projeto do Nordeste precisa transmitir mensagens positivas:
de integração do sistema regional no sistema nacional que seja
mutuamente benéfica; de compatibilização de interesses; de transmissão
inter-regional do desenvolvimento reciprocamente fertilizante”.
E acrescento: uma política nacional de desenvolvimento sem este
ajuste seria injusta, inócua, incompetente e até inconstitucional.
É frase do novo Presidente ao discursar na sua Academia de Letras,
em Fortaleza: “Integramos o mundo da opulência e o submundo
da exclusão”. Pois, Presidente, tiremos, com palavra e gesto,
os conterrâneos da exclusão. |
Aproveite os mesmos engenho e arte de que se utilizou como professor,
advogado, vereador, deputado estadual e federal, secretário
de Estado, autor e relator de leis da sua idéia fixa, que é
promover a interação entre educação e os diferentes contextos
culturais. Nós, nordestinos, não somos gente só do mandacaru.
Somos também jangadeiros, pois sabemos que o mar nos ensina
lições de leme para conhecer mais e lições de âncora para os
padrões de fidelidade. Como as amarras só vêm depois do movimento,
Ubiratan Aguiar haverá de ser ainda mais leme e âncora para
o TCU. De agora em diante, a Presidência não será o seu cargo.
Passa a ser o seu sentimento. Eduardo Campos me ensinou com
versos de José Bernardo da Silva, de que ao falar no “Padim
Ciço”, e quero falar nele, fizesse pontuação. Pois faço pontuação,
repito José Bernardo e falo do Taumaturgo do Juazeiro: “Leitores
agora aqui/Eu faço pontuação/Feliz daquele que tem/Jesus em
seu coração/E também todo momento/Guarda no seu pensamento/Padrinho
Cícero Romão”.
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Marcos Vilaça, ministro
e acadêmico, saudando novo presidente do TCU.
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