| O
ufanismo desenfreado exibido pelo presidente da República nos
últimos dias foi concebido por marketeiros com os olhos voltados
para as eleições presidenciais do próximo ano. Um gesto “estudado”
tentou transformar o Pré-Sal em panacéia. Os movimentos do governo
repetem cacoetes por demais conhecidos. O primeiro item da cartilha
é demonizar as oposições ou qualquer segmento que ouse criticar
decisões palacianas. Desde que assumiu o poder, o presidente
Lula tem verdadeira ojeriza a qualquer tipo de questionamento.
Seus auxiliares e fiéis escudeiros (com raríssimas exceções)
seguem o mesmo padrão de comportamento. Em cada passo fica patente
a falta de compromisso da gestão petista com a verdade e a transparência.
No ardor dos simulacros, as contradições se sucedem em diatribes
dirigidas |
aos eventuais críticos. A retirada do regime de urgência constitucional
para a votação dos projetos do Pré-Sal demonstrou a malícia
e a incoerência no modo de operar do governante. O arsenal de
argumentos sacados de forma irresponsável, para justificar a
pressa no encaminhamento da matéria, foi congelado em nome de
uma harmonia estranha à cartilha oficial. Mas a aparente “capitulação”
foi assinada no espírito de que a celeridade permanecerá intacta,
com a votação nos próximos 60 dias. Assistimos a uma sátira
cruel que proclama a antítese da lógica e do nexo. A temporada
de ‘recuos’ fechou a semana com chave de ouro diante da trapalhada
presidencial no episódio franco-brasileiro. O presidente Lula,
no seu habitual açodamento, declarou a escolha do Caça Rafale
e de submarinos da França. A |
Alvaro Dias*
|
"Os bilhões de euros reservados para a compra de
sofisticados artefatos de guerra contrastam com as necessidades
e carências dos brasileiros”
|
pressa em
antecipar o resultado de uma licitação não concluída colocou
todo o processo licitatório sob suspeita. Se os franceses forem
os |
vencedores, ganharão sob suspeita. O presidente Lula conseguiu
se superar nesse novo capítulo de sua administração.
Mal transcorridas 24 horas do anúncio feito por Sua Excelência
ao presidente Nicolas Sarkozy, o Ministério da Defesa divulgou
nota afirmando que o processo de seleção ainda não havia sido
concluído e, como se não bastasse o desmentido à palavra do
presidente, fez crer que as negociações com outros países ainda
estavam em marcha. Diante da imprudência do mandatário-mor,
uma incógnita no ar: qual procedimento o governo deve adotar
para sanar esse vício? Os bilhões de euros reservados para a
compra de sofisticados artefatos de guerra contrastam com as
necessidades e carências assumidas por diversas instâncias do
governo. A cruzada para ressuscitar a CPMF sob |
o argumento de socorrer a saúde pública e as frequentes alegações
de falta de recursos para combater a pandemia de gripe A não
inibem a sanha armamentista e os acordes “nacionalistas” sob
encomenda eleitoreira. É surreal preconizar investimentos vultosos
em segurança por causa do Pré-Sal. A fábula escrita nos porões
do governo de que inimigos ocultos e ameaças submarinas podem
roubar nosso tesouro incrustado nas profundezas do oceano é
a pantomima da hora. A conjuntura econômica e social brasileira
impõe prioridades mais prementes que a compra de material bélico
numa licitação de contornos atípicos. O governo caminha entre
marchas e contramarchas numa sequência de recuos e trapalhadas
que parece não ter fim.
*
Alvaro Dias é senador
e primeiro vice-líder do PSDB
|