Joaquim Barbosa


Entre os mais de 400 mil candidatos a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nas próximas eleições em 5.565 municípios brasileiros, muitos são bandidos e criminosos que deveriam estar na cadeia.
FIM DA BANDIDAGEM NA POLÍTICA
Como o Congresso não faz a reforma política tão necessária e urgente e o Tribunal Superior Eleitoral(TSE) está dividido, tendo jogado fora grande oportunidade de iniciar a moralização política do País, cabe agora ao Supremo tomar, nos próximos dias, uma decisão fundamental: fechar as portas eleitorais aos vigaristas, corruptos e bandidos. Defensor dessa tese, o ministro Joaquim Barbosa(foto) está isolado, mas torce para que mude a tendência atual dos ministros da Corte e, definitivamente, processados pela Justiça, mesmo ainda não condenados em última instância, sejam proibidos de disputar eleições, como querem os brasileiros.
Será muito difícil para a sociedade brasileira compreender e aceitar outra decisão do Supremo que não seja essa que se impôe como necessidade histórica para recuperação da credibilidade dos políticos, atualmente no fundo do poço como demonstram as pesquisas nacionais. Deixar que possam ser eleitos processados por improbidade administrativa, exploração sexual, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem econômica, tráfico de drogas e até assassinatos é aprovar e ratificar o estado de podridão em que se encontra a política brasileira, transformada em pântano de corrupção, sobretudo depois do escândalo do Mensalão, o maior da história da República. Conforme estudo da Transparência Brasil, dos 523 deputados federais atuais, pelo menos 204 têm ocorrências na Justiça. Esse índice é ainda mais elevado no Senado: 42 dos 81 senadores. Situação é grave em quase todos os Estados. Na Assembléia Legislativa de Goiás, 29 dos 41 deputados estaduais estão encalacrados na Justiça. Dos 709 vereadores atualmente cumprindo mandatos nas capitais brasileiras, quase 100 têm fichas completamente sujas. Levantamento indica que em Alagoas, por exemplo, 80% dos políticos estão com problemas na Justiça. E na Câmara do Rio de Janeiro, dois vereadores – Jerônimo Guimarães e Francisco da Cruz são acusados de assassinatos. Por que tudo isso? Porque não há rigidez na legislação eleitoral. Certamente, entre os 400 mil candidatos que concorrerão às 51.500 vagas de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos em 5.565 municípios brasileiros, em outubro próximo, há muitos bandidos, criminosos mesmo, fichados na Polícia e com processos na Justiça. Se não houver uma decisão do Supremo fechando as portas para eles, muitos estarão eleitos e aproveitarão os cargos para fazer o que mais sabem: roubar. E ainda ficarão protegidos por foro privilegiado que lhes assegurarão os mandatos e impedirão ou retardarão julgamentos de crimes já cometidos. Algo deve ser feito, urgentemente, porque os projetos em análise no Congresso, que tornam as regras eleitorais mais rígidas, mesmo que aprovados agora somente entrarão em vigor nas eleições de 2010. Assim, permanecerão abertas as portas para que espertos, aventureiros e oportunistas, sem nenhuma reputação e sem idoneidade moral, que respondem por crimes e falcatruas diversas, possam ser eleitos em outubro próximo. Protegidos pela lei, eles abusarão do poder econômico e corromperão eleitores comprando votos. Ou seja, alimentarão a corrupção sob o manto da impunidade. Diante disso, o Supremo precisa ter a coragem de assumir, sem ferir a presunção da inocência, uma decisão até agora não adotada nem pelo Congresso nem pelo TSE: aprovar resolução fixando a inelegibilidade de candidatos que tenham vida pregressa suja, mesmo ainda sem condenação definitiva. Espera a Nação que os ministros do Supremo tenham bom senso, sintonizem a aspiração da sociedade brasileira, como faz o ministro Joaquim Barbosa, e, finalmente, barrem esse absurdo na vida política brasileira. Chega de corruptos e de bandidos travestidos de políticos.
Supremo precisa aprovar e assumir uma decisão corajosa e firme para fechar as portas eleitorais aos candidatos de fichas sujas na Polícia e na Justiça e iniciar a moralização da política brasileira.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva