Timothy Mulholland


Eleito democraticamente para um mandato como reitor da UnB, Timothy Mulholland resistiu uma semana às pressões dos estudantes por sua renúncia, mas acabou pedindo afastamento.
REITOR CAI EM MAGNÍFICA LIXEIRA
Durante os próximos 60 dias, o reitor da UnB, Timothy Mulholland(foto), estará afastado do cargo. Ele resistiu exatamente uma semana às pressões dos estudantes que invadiram e ocuparam a Reitoria exigindo sua renúncia por desvio de dinheiro público para mordomias funcionais. Embora viesse sustentando que havia entrado na Reitoria na forma da lei e somente sairia na forma da lei, acabou cedendo após denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa. Mas a crise da UnB não acabou: os estudantes mantém a ocupação. Querem a saída definitiva de Timothy, do seu vice Edgar Mamya e toda sua diretoria administrativa.

Antes de decidir pelo afastamento, quase uma semana depois da invasão da Reitoria com adesão de mais de mil estudantes, Timothy Mulholland, ao romper o silêncio, manifestou sua disposição ao diálogo até a exaustão, apelou para o fim pacífico da ocupação e destacou que estava cumprindo um mandato para o qual foi eleito democraticamente. Em reação, alguns estudantes que o cercaram de vaias na saída da entrevista, concedida no Centro de Excelência de Turismo, lembraram que o ex-presidente Collor também havia sido eleito democraticamente mas sofreu impeachm-ment por envolvimento com corrupção. Diante do impasse, Timothy Mulholland acabou se licenciando, conforme recomendação do ex-reitor e senador do DF, Cristovam Buarque. Professor de Piscologia e vice-reitor da UnB duas vezes, Timothy Mulholland condenou a violência dos estudantes, que estão usando um meio ilegal – invasão de patrimômio público – e descumprindo ordem judicial para reintegração da Reitoria, que poderá ser executada pela Polícia Federal caso permaneça o confronto sem solução. Em rebate, os estudantes dizem que não estão fazendo baderna, se responsabilizam pelo pagamento de tudo que tiver sido quebrado e acusam o reitor de ferir os direitos humanos por ter cortado água e luz no espaço ocupado. Além da pressão dos estudantes pela renúncia definitiva, o reitor afastado agora vai enfrentar ação do Ministério Público. Poderá ser condenado ao ressarcimento dos prejuízos financeiros causados à Universidade, por desvios de verbas da Finatec, à perda da função pública, à suspensão de seus direitos políticos por cinco anos e ao pagamento de multa até cem vezes o valor de seu salário, entre outras penalidades. Promotores justificam que os recursos que deveria ser aplicados em pesquisas não poderiam ser usados na reforma e decoração de apartamento funcional destinado ao reitor. Embora não pareça existir nenhuma correlação entre os fatos, Timothy Mulholland, em defesa da UnB e sua própria, alega que a violência dos estudantes contra a Reitoria está dentro de um contexto de reações e ataques que a Universidade vem sofrendo por conta de suas políticas de inclusão social e racial para alcançar “o jovem brasileiro de baixa renda, o jovem da periferia, o jovem negro e o jovem indígena”. É verdade que essas políticas da UnB são alvo de severas críticas, mas nada indica que sejam a inspiração para o atual protesto dos estudantes. Mais evidente como real causa desse confronto é mesmo o exorbitante gasto de R$ 542 mil, destinados ao financiamento de projetos de pesquisa da UnB, na decoração(R$ 470 mil) do apartamento do reitor na 310 Norte e na compra de um automóvel(R$ 72 mil) para uso exclusivo do reitor. Mas a gota dágua foi a descoberta de que, na luxuosa decoração do apartamento, estava incluída uma lixeira que custou R$ 990,00. Um absurdo com dinheiro público que despertou atenção e ira da comunidade acadêmica, gerando o confronto que agrava, ainda mais, a crise da UnB. E, nesse caso, a magnífica lixeira acabou derrubando o magnífico reitor.
Por ação do Ministério Público, o reitor Timothy Mulholland poderá ser condenado ao ressarcimento dos prejuízos causados à UnB, perder função pública e ter suspensos direitos políticos.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva