Lula da Silva


Governo realiza verdadeira “operação-abafa” ao debate sobre eventual terceiro mandato de Lula para não inviabilizar a prorrogação da CPMF, que agora tem a rejeição do DEM e do PSDB no Senado.
CHAVE DO TERCEIRO MANDATO É CPMF
Comandada pelo Palácio do Planalto, está em curso uma verdadeira “operação-abafa” ao debate sobre eventual terceiro mandato do presidente Lula(foto) porque o mais importante para o Governo, neste momento, é a manutenção até 2011 da CPMF, que tem validade legal até 31 de dezembro próximo. Caso seja aprovada no Senado a prorrogação do maldito imposto, como o Governo está exigindo do Congresso, estará nas mãos de Lula a chave certa para abrir as portas ao seu terceiro mandato. Disporá, então, de confiança e segurança de votos para aprovar proposta do PT que lhe permitirá novo e seguido mandato, legitimado por autorização plebiscitária.

Como tem absoluta certeza de que qualquer demonstração de interesse em alterar a Constituição de 1988 para mais um mandato esticando sua permanência no Palácio do Planalto até 2014, inviabilizará de vez a prorrogação da CPMF, Lula, seus ministros e aliados no Congresso estão tentando, quase desesperadamente, tirar o tema de foco. Pelo menos é o que fazem, publicamente, rechaçando, veementemente, essa possibilidade como “insensatez”, “brincadeira”, “estupidez” e “ruptura”. Entretanto, essa operação não tem produzido o efeito desejado porque quatro assessores próximos do Presidente estão devidamente engajados no projeto do terceiro mandato: ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares guia, ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, Chefe da Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e o assessor internacional, Marco Aurélio Garcia. Mais: foi o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia(PT-SP), quem desarquivou o projeto de emenda constitucional do deputado federal petista, Devanir Ribeiro, dando direito ao presidente Lula de concorrer novamente à Presidência em 2010. Se, realmente, Lula não estivesse pensando nisso, Chinaglia não teria feito o desar-quivamento. Se foi um erro estratégico pessoal de Chinaglia, caberia agora ao presidente Lula barrar a iniciativa do deputado Devanir Ribeiro, o seu grande amigo de muitos anos. Entretanto, o próprio Devanir, que tem mantido encontros regulares nos últimos dias com o Presidente, garante: “Lula nunca me desautorizou, nem me repreendeu”. Ou seja, em relação ao terceiro mandato, Lula não tem tido, internamente, com o PT, a mesma atitude que tem publicamente. E esse comportamento dúbio está alimentando o debate. Pouco adiantou o presidente Lula ordenar, nessa semana, ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, que anunciassem não ser de interesse do Governo um terceiro mandato. Ninguém acreditou neles. Pouco adiantou o Palácio do Planalto estimular nota oficial de partidos aliados e até de oposição contra a proposta sob o argumento de que “essa discussão compromete o clima de tranqüilidade e normalidade política e institucional do País”. Nada disso ganhou confiabilidade, depois de o próprio Lula rejeitar, publicamente, protestos contra seu colega e ditador venezuelano, Hugo Chávez, que fez reforma para ficar no poder até quando cansar ou morrer. Diante disso, dentro e fora do Congresso, a CPMF passou a ser considerada importante chave política e orçamentária para o terceiro mandato de Lula. Se sua prorrogação for aprovada no Senado, Lula terá a garantia de votos para mudar a Constituição e poder disputar novamente a Presidência. E terá também R$ 40 bilhões anuais para ampliar programas populistas que lhe darão ainda mais e melhores condições eleitorais para conquistar um terceiro mandato. E alguém acredita que ele não receberá aprovação para isso em plebiscito? Ninguém. Principalmente Lula, que é o candidato de Lula para a sucessão de Lula.
Com aprovação da CPMF no Senado, Lula terá garantia de votos para mudar a Constituição e poder disputar novamente a Presidência e de R$ 40 bilhões anuais para melhorar suas condições eleitorais.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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