Dominique Strauss-Kahn


Pelas avaliações do FMI, será muito difícil tapar o rombo da atual crise financeira mundial, que pode atingir US$ 12,3 trilhões, quase do tamanho do PIB dos Estados Unidos, que é de US$ 14 trilhões.
TAMANHO DA CRISE: US$ 12,2 TRILHÕES
Quem deu a resposta categórica ao mundo, nessa semana, sobre se os US$ 850 bilhões aprovados pelo Congresso americano serão suficientes para resolver a crise financeira que devasta os Estados Unidos e abala o planeta, foi o Fundo Monetário Internacional(FM): Não. Simplesmente, porque o rombo da crise, calculado inicialmente em mais de US$ 1,3 trilhão, pode atingir a gigantesca soma de US$ 12,3 trilhões. Por isso, o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn(foto), já anunciou que a crise será prolongada, deixando governos angustiados e mercados em pânico. Em todo o mundo só se fala em uma coisa: vem aí Grande Depressão como a de 1929.

Dificilmente, mais de mil bancos serão quebrados, como aconteceu em 1929, mas os números da crise atual são tão grandes que, dificilmente, haverá tanto dinheiro para cobrir o buraco e acabar com o nervosismo de governos e mercados: US$ 850 bilhões já aprovados pelo Congresso americano servem apenas para começar a tapar o rombo e nada mais. Daí o desespero do Governo Bush. Mas a tensão é grande também nos governos da Europa. Na Inglaterra, socorro oficial aos bancos e instituições financeiras ameaçados de falência pode chegar aos US$ 100 bilhões. Na Espanha, fundo oficial de quase US$ 150 bilhões vai comprar ativos de bancos em situação difícil. Governo da Rússia já injetou mais de US$ 250 bilhões para salvar bancos. Enquanto governos dos Estados Unidos e da União Européia providenciam ajudas emergenciais aos bancos em falência, os mercados financeiros permanecem em pânico com grandes empresas transnacionais que têm ações negociadas nas Bolsas de Valores perdendo fortunas. Pelas estimativas dessa semana, elas já perderam mais de US$ 10 trilhões. Assim como as principais Bolsas do mundo já contam perdas que ultrapassam US$ 4 trilhões, numa das mais graves crises financeiras da história mundial. Nos Estados Unidos, epicentro desse novo terremoto financeiro global, o panorama é de desolação. Enquanto bancos esperam socorro, milhões de norte-americanos já sofrem antecipadamente as perdas de seus empregos. Diante desse cenário, o FMI faz um alerta realista: somente os 15 principais bancos dos Estados Unidos vão precisar nos próximos meses, até final de 2009, de US$ 700 bilhões, valor igual ao pacote emergencial do Governo americano aprovado pelo Congresso, para que possam voltar a operar no mercado com menos intran-qüilidade. Mais: de um total de US$ 1,4 trilhão em prejuízo em ativos nos EUA, cerca de US$ 540 bilhões estão em mãos de europeus. Daí a contaminação acelerada de toda a Europa por essa crise que abala o mundo. Pior: segundo o FMI, os riscos macro-econômicos estão crescendo e a atividade econômica já em desaceleração nos países desenvolvidos e nos países emergentes, como o Brasil. Em resumo: vai ser difícil, quase impossível, tapar o rombo global de US$ 12,3 trilhões, quase o PIB dos EUA, que é de US$ 14 trilhões. Com as bolhas de crédito, de consumo, de automóveis e de turismo estourando em todas as partes, uma atrás das outras, agora sobretudo na Europa, é real perigo de o buraco da crise engolir todo mundo. Inclusive a Igreja Católica que tem a Santa Sé operando no vermelho, com rombo calculado em mais de US$ 20 milhões, e o Vaticano com seus investimentos em queda no mercado imobiliário. É como disse o papa Bento XVI, nessa semana, preocupado com a turbulência econômica mundial: “Agora, esta-mos vendo, com o afundamento dos grandes bancos, que esse dinheiro desaparece, que não é nada, e que, mesmo assim, muitos fazem suas construções obre castelos de areia”. Como o do bilionário Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos EUA, que virou pó, deixando donos e milhares de clientes na maior depressão.
Grandes empresas transnacionais já perderam US$ 10 trilhões nas principais Bolsas de Valores do mundo, deixando governos angustiados e mercados em pânico perante crise que promete ser longa.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva