INFORMEXTRA

Mais suspeita
contra Governo
na tragédia com
avião da TAM

Aeronáutica mantém sigilo de informações sobre tragédia com avião da TAM
or que o Governo Federal, por meio da Aeronáutica, reagiu tão apreensivo e irritado à ação do Ministério Público Federal em São Paulo e Brasília, essa semana, ao recolher documentos e gravações nas instalações de controle aéreo dos aeroportos das duas capitais? Por que procuradores da República, em nome da população, não podem ter acesso às informações que registram as ocorrências do tráfego, sobretudo diante de uma crise que se arrasta há quase um ano causando os maiores transtornos ao País? Por que a Aeronáutica diz que essas informações comprometem os interesses e a segurança nacionais se a população brasileira está viajando de avião na maior insegurança? Será que há falhas no sistema aéreo nacional que o povo não pode saber? Será que esses documentos e gravações contêm registros sobre as tragédias da Gol, na Amazônia, e da TAM, em São Paulo, que devem ficar escondidos? Que registros tão graves são esses que somente o Governo pode ter conhecimento? Por mais razões e justificativas que tenha, a reação da Aeronáutica ao procedimento do Ministério Público Federal deixou o Governo Lula sob mais suspeita em relação ao desastre do avião da TAM com 200 mortos em Congonhas. Embora esteja sendo acusado de negligência, através da Infraero, por ter liberado a pista de reforma inacabada e sem condições para pouso de aviões em tempo chuvoso, o Governo tem feito tudo, incluindo até obscenidades, para se justificar isento de responsabilidade. Como a Airbus, fabricante, e a TAM, dona do avião acidentado, já proclamaram que os equipamentos estavam em ordem, seguramente, os pilotos mortos acabarão sendo apontados como únicos culpados, mesmo tendo os dois feito o possível e o impossível para evitar a tragédia,


Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito

imposta a inforações sobre dados” e que “vêm sendo escondidas do consumidor informações claras sobre riscos do transporte aéreo”, em seu despacho, ela lembra “a colisão de uma aeronave da TAM que não conseguiu concluir um pouso em razão das precárias condições da
segundo comprovam as gravações da caixa-preta já do conhecimento público. Mas essas gravações, após reveladas, deixaram mais dúvidas do que certezas. Até porque, segundo reclamação de membros da CPI do Apagão Aéreo, elas foram entregues, pela Aeronáutica, incompletas. E agora aparece a mesma Aeronáutica impedindo ação investigativa e esclarecedora do Ministério Público Federal. Em atendimento a recurso da Advocacia Geral da União, solicitado pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a presidente do Tribunal Regional Federal, em
Brasília, desembargadora Marli Ferreira, derrubou liminar da juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal, em Guarulhos, São Paulo, que havia autorizado aos procuradores da República o recolhimento de documentos e gravações do controle aéreo nas duas capitais. Eis a argumentação da juíza: “Conflita com o Texto Maior(Constituição) a ausência de informações precisas sobre o estado do controle aéreo no Brasil”. Depois de criticar a existência de “uma dose desnecessária e vetusta de sigilo que vem sendo
pista do aeroporto de Congonhas”. Para os procuradores, que reagiram desaprovando a decisão do TRF, suspendendo a ação do MPF e determinando devolução à Aeronáutica dos documentos e gravações que haviam sido apreendidos, “os cidadãos têm o direito de saber a quais riscos estão expostos nesta crise aérea e o que coloca a população em risco é a falta de informação e não o contrário”. Daí, a reação intempestiva da Aeronáutica ter gerado mais suspeita contra o Governo em relação à tragédia com o airbus da TAM, a maior da história do Brasil.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva