|
|
| FATORAMA | |
| Jornal das Vozes Livres de Brasília | |
| HOME Brasília - DF 12/08/2007 |
|
HERMANOS,
PERO NO MUCHO
|
| um confronto aberto entre as duas partes, é na Venezuela que emerge as nuances mais claras de uma nova correlação de forças na América Latina, marcada pelo discurso, e em menor medida, prática de Chávez. O esforço do presidente venezuelano para entrar no Mercosul se encaixa nesse contexto. Enxergando os limites da frente que compõe a Alba, ele tenta agora ampliar seu campo de atuação. Não há dúvidas de que, caso consiga a adesão plena, a Venezuela ganha nova força dentro do continente e orientará os rumos do Mercosul para uma maior independência frente aos Estados Unidos, que, diante de uma Alca fracassada, aposta suas fichas em acordos bilaterais. Um Mercosul |
|
mantida, ainda que dentro dos limites de atuação desenhados pelo Tio Sam. Mesmo assim, Lula já deixou claro que a última coisa que passa pela sua cabeça é uma espécie de ruptura nas relações políticas e econômicas com os EUA. A questão é que, nesse quesito em particular, Chávez também é muito mais discurso do que prática. Não está claro ainda se está evitando conflitos para avançar mais no seu “socialismo do século XXI” ou se as concessões que fez já ilustram os limites do processo. A dívida externa da Venezuela foi paga sem questionamentos para as entidades financeiras comandadas pelos EUA. A venda de petróleo para o grande importador também não é coloca |
da em questão. Hoje, setores dos grupos dominantes venezuelanos associados
aos interesses multinacionais já fizeram as pazes com o governo, inclusive
alguns que participaram do golpe anos atrás. A impressão que fica é que,
para esses grupos, Chávez agora é tolerado. Fizeram concessões a ele na
medida da força com que este chegou e se mantém no poder. É preciso esperar
para ver se o venezuelano terá condições e vontade política para aprofundar
um enfrentamento. Por aqui, as favas já estão contadas. *Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub. |