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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 12/04/2009

UMA SENTENÇA EXEMPLAR
A decisão da Suprema Corte peruana de condenar o ex-presidente Alberto Fujimori, por unanimidade, a 25 anos de prisão, constituiu, nessa semana, por inúmeras razões, não só uma sentença histórica, mas poderoso exemplo do avanço dos direitos humanos em espaços institucionais por toda a América latina, permanecendo o Brasil, lamentavelmente, como uma espécie de exceção. Evidentemente, Fujimori é um caso muito especial, tendo em vista que o ex-presidente peruano chegou ao poder em eleições regulares, ao contrário de outros governos do continente que atuaram com semelhante autoritarismo e lógica de “segurança interna”. Fujimori chegou ao poder em 1990, alçado como o candidato outsider contra as máquinas partidárias tradicionais infestadas pela corrupção. Seu governo teve dois eixos principais: as reformas orientadas para o mercado que tomaram conta da América Latina na década de 1990 e a montagem de um vigoroso e expressivo aparato de repressão aos grupos armados de inspiração maoísta, dentre deles o principal sendo o Sendero Luminoso. Sob a batuta de Fujimori, seus principais assessores, e a cumplicidade de Washington, os militares peruanos conseguiram a




façanha de promover a perseguição política como prática de Estado em um regime de eleições regulares. condenação de Fujimori por crimes contra a humanidade se deve, basicamente, a dois massacres específicos, de estudantes universitários e trabalhadores pobres,

levados adiante por ousadas ações do aparato repressivo. Fujimori, que abandonou a presidência em 2000 afogado em denúncias de corrupção e abuso de poder, foi considerado pela Suprema Corte o autor intelectual dos massacres. A decisão impressiona, primeiro pelo relativo curto período de tempo de sua saída do poder, a calar os incansáveis defensores da tese da ferida não-cicatrizada que não se deve tocar. Segundo, devido ao fato de que coloca na cadeia figura que um dia ocupou o cargo máximo da chefia do Estado, um ex-Presidente, numa demonstração de que ao menos algumas noções de Justiça ainda se aplicam a todos, algo muito diferente do atestado de impunidade que costuma ser concedido a qualquer sombra de autoridade brasileira que conte com sorte o suficiente para que seu processo chegue ao Supremo Tribunal Federal. Vale lembrar que o STF terá a oportunidade de julgar a revisão da lei de anistia, acordo político de uma transição controlada de outrora, mas hoje principal empecilho para que o Brasil lide, minimamente, com parte dos crimes cometidos pelo seu próprio autoritarismo. Os exemplos, ou melhor, precedentes legais, estão dados.



FOGUETE - Governo da Coréia do Norte anunciou que responderá militarmente ao Japão caso o país queira procurar os restos do foguete coreano de longo alcance que caíram no Oceano Pacífico. Para a Coréia do Norte, isso é um ato de espionagem e uma “provocação militar intolerável”.

Obama e Cuba
Tragédia Italiana
Reação de Fujimori
Presidente Obama ensaia passos de reaproximação entre Washington e Havana. Seis deputados federais americanos estiveram em Cuba, nessa semana, sendo recebidos por Fidel Castro.

Seguradoras estimam que os prejuízos do terremoto que arrasou região de Áquila, na Itália, nessa semana, podem atingir 3 bilhões de euros. População ainda está apavorada. São quase 300 mortos, 1.180 feridos e 28 mil desabrigados que estão em acampamento de 18 mil tendas. O papa Bento XVI revelou que pretende visitar Áquila, depois da Páscoa, para confortar os 70 mil habitantes da cidade atingida pelo terremoto. De acordo com geofísicos, tremores continuarão.
Condenado a 25 anos de prisão por seqüestros e assassinatos em seu Governo, ex-presidente Alberto Fujimori iniciou, através da filha Keiko, cruzada nacional para limpar seu nome.


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