Paulo Pereira da Silva


Pelas investigações da Polícia, financiamentos fraudulentos obtidos por quadrilha junto ao BNDES para Prefeituras em troca de altas propinas somam mais de R$ 400 milhões.
MARACUTAIA FEDERAL: ÉTICA ZERO
Mais novo tremor escandaloso de corrupção federal, tendo como epicentro o BNDES, mostra que o Governo Lula não esqueceu nada e não apreendeu nada quanto aos abalos anteriores, alguns ainda não totalmente investigados e outros no âmbito da Justiça. Mais nova maracutaia é resultante do aparelhamento político do BNDES e tem, entre os envolvidos, o presidente da central Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva(foto), do PDT, aliado do Governo. Ele é suspeito de participar de fraudes em financiamentos do banco para Prefeituras, que somam R$ 400 milhões, liberados parceladamente conforme o andamento dos projetos.

Exatamente quando o Brasil conquista o “investment grade”, confirmando a elevada confiança dos investidores internacionais na economia e que podem trazer ao País ainda neste 2008, mais US$ 34 bilhões, o Governo dá mais uma demonstração de que não é sério nem está preocupado com a lisura na administração pública. Aliás, o Governo do PT é um espanto: até o final de 2002, o temor geral era o de que Lula eleito iria virar o Brasil de cabeça para baixo na economia, adotando políticas insensatas e radica-lizantes defendidas pelo PT ao longo de 20 anos e colocando o País num abismo mesmo diante de um cenário econômico mundial de prosperidade. E a crença geral era a de que Lula, por sua pregação eleitoral, faria um Governo limpo, transparente, honesto, responsável e ético em relação ao uso do dinheiro público. Deu-se, surpreendentemente, o contrário: Lula entra para a história com grande sucesso na economia e tremendo fracasso na ética. Desde o primeiro escândalo do atual Governo, com o assessor presidencial Waldomiro Diniz, flagrado, no aeroporto de Brasília, cobrando de um bicheiro propina para o PT, tem sido uma enxurrada de maracutaias, falcatruas, fraudes, desvios e outras ilegalidades, uma atrás da outra, sem parar. São ícones desse pântano de corrupção e mazelas: o Mensalão, articulado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, acusado e denunciado pelo Ministério Público como chefe de criminosa quadrilha operou dentro do Congresso Nacional, comprando votos para aprovação de projetos do Governo: a violação da conta bancária do caseiro Francenildo Costa por determinação do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que acabou denunciado e caindo; a farra de ministros com cartões corporativos, liderada por Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, que, sob constrangimento, se demitiu; e o dossiê da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff sobre os gastos sigilosos do ex-presidente FHC para intimidar a oposição na CPI dos Cartões. Nem termina a apuração de um escândalo, já outro surge tirando de foco o anterior. E assim vai. Como os efeitos positivos da economia e do Bolsa-Família têm garantido ao presidente Lula recordes de popularidade, o Governo desdenha, olimpicamente, desses escândalos, provavelmente interpretando que o povo brasileiro, tendo inflação baixa, não está nem aí para a roubalheira do dinheiro público. Agora é o caso do BNDES. Estão sob investigação 11 Prefeituras de SP e 45 do Paraná que têm contratos com o banco. Somente os financiamentos de oito delas, do PDT, aliado do Governo, atingem R$ 234 milhões. Pivô do esquema de fraudes, a Prefeitura de Praia Grande (SP) obteve dois empréstimos, num total de R$ 156 milhões. Tudo aprovado pelo diretor de Inclusão Social do BNDES, o petista Elvio Gaspar. Seriam R$ 4 milhões para rateio de propinas entre 13 membros da quadrilha. Segundo a Polícia Federal, o deputado Paulo Pereira da Silva, que só pode ser investigado com autorização do Supremo, teria recebido propina de R$ 325 mil. Como esperado, ele já negou tudo. Da mesma forma, os que foram presos. Eles não viram nada e não sabem de nada, tática aloprada do Governo Lula, que se vale de nota boa em economia como biombo para esconder a nota zero em ética.
Desvio de recursos públicos do BNDES para pagamento de propinas dá seqüência aos escândalos que provam completa ausência de ética no Governo Lula, desde o primeiro e famigerado Mensalão.

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