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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 11/05/2008

LIÇÕES DE 68
á quarenta anos, o mundo, a partir das ondas de choque que irradiavam das ruas de Paris, estremecia. O terremoto não era geológico. Era político e cultural. Era o famoso maio de 68 francês. Quatro décadas podem parecer uma eternidade. Mas a combinação entre a distância no tempo e a vivacidade da memória coletiva daqueles dias não pode ter outro efeito senão comprovar a força e amplitude histórica daquele movimento. O tempo passou e o mundo se transformou, é claro. Mas as tentativas de enterrar o legado da época permanecem. Logo após sua eleição, o presidente francês Nicolas Sarkozy comentou que sua chegada ao poder representava o “fim de 68”. O diagnóstico, como estudantes, mas hoje principalmente imigrantes, demonstram em constantes mobilizações, era altamente impreciso. Mas revelador de como os simbolismos e representações que orbitam ao redor do período ainda são capazes de incomodar o conservadorismo. Não é à toa que, durante a ocupação da reitoria da Universidade de Brasília mês passado, o 68 francês era uma referência. Frases que um dia deram cor aos muros de Paris, como “a imaginação no poder”, encontravam novo abrigo nas paredes da reitoria. A vontade de se conectar com o exemplo do passado se reproduzia





ainda em camisas, pintadas com tinta guache, com dizeres ousados como “maio 1968, abril 2008”. É preciso, contudo, evitar cair no romantismo. De maneira perigosa, ele pode obscurecer valiosas lições históricas. Maio de 68, na França, foi não somente uma das maiores demonstrações

coletivas de mobilização popular. Foi também um dos maiores exemplos de erros estratégicos já cometidos pelas lideranças dessas mobilizações. Nada menos que 11 milhões de pessoas tomaram as ruas francesas, na primeira greve geral da história do país europeu, exigindo profundas transformações sociais. A polícia e até mesmo o Exército nada podiam. O todo-poderoso general De Gaulle, encurralado, ensaiava entregar o país de bandeja e prometia todas as concessões. O Partido Comunista Francês, no entanto, exigiu apenas a realização de novas eleições, confiante na vitória. Os 11 milhões de pessoas foram desmobilizados. A revolução voltou para casa. A reação do medo das mudanças viria nas urnas e De Gaulle ampliaria seus poderes. Um desfecho cinzento para um enredo que, ao que tudo indica o mundo contemporâneo, dificilmente conseguirá se reproduzir. As comparações cessam na evidência gritante das limitações. Derrubar um reitor não é derrubar um governo. Se um dia essa oportunidade voltar a surgir e 68 for, para os agentes da mudança, mais do que uma lembrança saudosista, oportunidade de aplicação prática da experiência histórica, talvez esse desfecho possa ganhar mais cores.



DIFERENÇA - Ao contrário do ex-ditador Fidel Castro, seu irmão, Raúl Castro, novo presidente de Cuba, não fez discurso na comemoração do Dia do Trabalho, em 1º de maio. E frustrou a multidão sem anunciar novas mudanças, como estava sendo esperado ansiosamente pelos cubanos.

Líder Mundial
Monstro da Áustria
Chávez e Morales
Melhor jogador do mundo em 2007, o brasiliense Ricardo Santos Leite, Kaká, do Milan, é o único brasileiro entre as cem personalidades mais influentes do mundo, anunciadas pela revista norte-americana Time.

Polícia da Áustria está investigando passagem do técnico em eletrônica Josef Fritzl pelo Brasil, onde teria trabalhado na construção de uma hidrelétrica nos anos 60. Ele é o monstro de 73 anos que manteve sua filha Elisabeth presa por 24 anos num porão de sua casa e com ela teve sete filhos. Fritzl construiu um sistema de liberação de gás para matar a filha e seus netos-filhos caso eles tentassem fugir. Elisabeth e cinco dos seus filhos estão internados numa clínica.
Nacionalização acelerada na Venezuela e na Bolívia. Nessa semana, Hugo Chávez nacionalizou a siderúrgica ítalo-argentina Ternium-Sidor, e Evo Morales a empresa de telecomunicações Intel, italiana.


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