Tarso Genro


Com sua idéia de revisão da Lei da Anistia para punição aos militares torturadores, o ministro da Justiça, Tarso Genro está provando quanto é dominado pelo repudiável espírito revanchista.
MARCHA INSENSATA DO REVANCHISMO
Depois de amplamente criticado por decisões absurdas sob critérios absurdos para indenizações milionárias da Bolsa-Ditadura a supostas vítimas do regime militar e por estar implantando no Brasil um Estado Policial, pelas ações espetaculares da Polícia Federal, o Governo Lula agora está diante de um confronto insensato, grosseiro e estúpido com as Forças Armadas. Em reunião nesse semana, no Rio, os militares já reagiram, com veemência, ao propósito do ministro da Justiça, Tarso Genro(foto), que vem defendendo uma revisão da Lei de Anistia para punir oficiais que torturaram guerrilheiros da luta armada e terroristas durante a ditadura militar.
Em contra-ofensiva, irritados com a posição revanchista do ministro Tarso Genro, os militares querem que os guerrilheiros, muitos dos quais estão hoje no Governo ou no Congresso Nacional, sejam também punidos, civil e criminalmente, pelo que cometeram como terroristas, usando armas e bombas, assaltando bancos, seqüestrando e matando inocentes. Na lista dos militares, está, entre os primeiros lugares de 120 nomes, o próprio ministro Tarso Genro, fichado como terrorista dos anos 60/70, sob os codinomes Carlos e Ruy, e atuante na “Ala Vermelha” contra o regime militar. Outras personalidades do Governo Lula deverão aparecer nessa listagem de terroristas porque a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Comunicação, Franklin Martins, já se anteciparam dizendo que se orgulham do seus passados. Como o presidente Lula está fugindo dessa questão e foi para bem longe – Pequim das Olimpíadas – evitando declarações sobre tema extremamente polêmico, causa preocupação o fato de o seu ministro da Justiça patrocinar uma iniciativa tão desastrosa para a democracia brasileira. Afinal, pelo entendimento de juristas e cientistas políticos, a Lei da Anistia, aprovada em agosto de 1979, estabelece o perdão para os dois lados, sendo o principal instrumento de pacificação nacional após o fim da ditadura. Ela permitiu o retornou de líderes políticos exilados, como Leonel Brizola e Miguel Arraes, ex-governadores já falecidos, e beneficiou, igualmente, subversivos e militares. Diante disso, o erro grosseiro do ministro Tarso Genro está no centro da polêmica: assim como houve excesso dos militares, praticando prisões abusivas e torturando, houve excesso também dos militantes de esquerda, praticando atentados, seqüestrando e matando inocentes. Mas o ministro considera que os crimes cometidos pelos militares estiveram fora da legalidade, violaram a ordem jurídica e por isso devem ser julgados como criminosos comuns, não merecendo anistia. Estranhamente, o ministro não enxerga ilegalidade nem violação da ordem jurídica nos crimes cometidos pelos guerrilheiros. Visão caolha, no mínimo. Assim, deveria deixar para a Justiça decidir o que lhe for apresentado pelas vítimas de abusos e arbitrariedades, sem necessidade de revisão da Lei da Anistia, evitando o confronto insensato com os militares e a exacerbação de antigos guerrilheiros agora loucos pela Bolsa-Ditadura tirada dos já esfolados contribuintes brasileiros. Embora o ministro das Forças Armadas, Nelson Jobim, já tenha contestado a tese de revisão da Lei da Anistia, esclarecendo que não cabe ao Executivo discutir esse assunto, mas ao Judiciário interpretar, e esteja tentando acalmar os militares, o ministro Tarso Genro está abrindo uma grave crise para o Governo Lula. Se fosse mesmo um ministro de espírito democrático, estaria mais preocupado em abrir os arquivos do período da ditadura militar, para identificação do destino dos desaparecidos, não por revanchismo mas pelo direito que têm todos os brasileiros de conhecerem a sua própria história. Entretanto, parece que o sentimento que motiva o ministro é mesmo o do odioso revanchismo. E ele ainda quer ser Presidente da República. Vade retro!
Em contra-ofensiva ao ministro Tarso Genro, os militares querem também que sejam punidos civil e criminalmente os guerrilheiros que assaltaram, seqüestraram e mataram durante a ditadura.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva