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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 10/08/2008

CICATRIZES DO PASSADO
História sempre foi um campo permeado por disputas políticas acirradas. Ela é parte viva do conflito e dificilmente determinado grupo que almeja o poder pode se dar ao luxo de abrir mão da disputa que a envolve. A hegemonia sobre as interpretações dos acontecimentos do passado é uma vitória ideológica fundamental do presente. Neste sentido, o período do regime militar brasileiro sempre foi terreno fértil para alguns dos mais intensos embates do período pós-democratização, muito devido ao fato de que nosso processo de transição para o regime democrático foi marcado pelos atores e pela correlação de forças herdadas do fim da ditadura. Se, concretamente, foram as forças da direita as grandes vitoriosas com a ordem política militar, dando fim à ascensão de diversas demandas populares que marcaram o início da década de 1960, integrando a economia do País ao capital estrangeiro, eliminando fisicamente boa parte do comunismo brasileiro e promovendo uma concentração de renda que só o ambiente de repressão poderia assegurar, a esquerda obteve ganhos no campo ideológico ao conseguir, em grande parte, que sua retratação do regime militar como brutal e injustificável política e economicamente prevalecesse. A reação às opções que se aprofundaram com a ditadura reverberou, em maior ou menor medida,




em praticamente tudo que a esquerda brasileira produziu, principalmente na década de 1980, do caráter social-democrata da Constituição Brasileira à força do crescimento do PT. Um novo round se abriu nessa semana com as declarações do Ministro da Justiça, Tarso Genro, insinuando que a sociedade brasileira deve aprofundar discussões

relativas a sanções criminais a torturadores dos anos de chumbo, e a quase imediata reação de oficiais militares o acusando de “revanchismo” e prometendo retaliação. Uma das principais teses dos militares e de forças que os apoiaram é a de que a memória daqueles episódios contribui ape-nas para gerar instabilidade política e que tudo deveria ser esquecido tendo em vista a efetividade da anistia. A intensidade do conflito, contudo, nos lembra que o passado pode estar tudo, menos enterrado. A ferida, se não ainda aberta, está longe de cicatrizar. Cronologicamente, a ditadura militar brasileira foi uma das primeiras da América Latina. Enquanto vizinhos como Chile e Argentina ainda viviam alguns de seus mais sanguinolentos anos de comando militar, o Brasil ensaiava aberturas políticas. Curiosamente, contudo, nossos vizinhos, ao optarem, sob vigorosa pressão social, lidar com o passado ao invés de esquecê-lo, hoje vivem cenários muito mais bem resolvidos no que diz respeito a esse episódio de suas histórias recentes. Fosse no Brasil, levar figuras como Augusto Pinochet ao tribunal, como fez o Chile, também seria taxado de “revanchismo”. Fosse o passado, realmente, desconexo da política presente, e, portanto, irrelevante para ela, nada haveria de se temer da Justiça. Con-tradição é gritante. Tam-bém o é nosso passado.



PRISÕES - Enquanto autoridades da China comunista se esforçam para mostrar ao mundo poder e grandeza, durante as Olimpíadas, a polícia de Pequim está sendo cruel com estudantes e ativistas que fazem manifestações em favor da independência do Tibet. É grande o número de prisões, todos os dias.

Bush na China
Utopia de Jintao
Lula em Pequim
Mais de 100 chefes de Estado, entre eles o presidente dos EUA, George Bush, chegaram a Pequim para as Olimpíadas. Governo chinês teme pronunciamentos de Bush em favor da autonomia do Tibet.

Maior preocupação do presidente da China, Hu Jintao, nesses dias de Olimpíadas em Pequim, não são exatamente as medalhas de ouro que seu país comunista pode conquistar, mas a blindagem política diante de 20 mil jornalistas de todo o mundo que estão cobrindo os jogos. Como Leonid Brejnev nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, Jintao faz tudo, inclusive limitando o acesso à Internet, para ter o controle total das multidões que ocupam Pequim e do espetáculo.
Em Pequim, dando apoio à delegação brasileira, Lula vai aproveitar a presença de líderes estrangeiros para tentar reiniciar negociações sobre a rodada comercial de Doha, que tem causado frustrações.


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