Lula da Silva


Diante da anunciada doença da Dilma, em tratamento de câncer, líderes governistas no Congresso já começam articulações para um terceiro mandato de Lula que, prazerosamente, já admite essa possibilidade e conta vitória certa.
ARMAÇÃO PARA TERCEIRO MANDATO
Líderes governistas do Congresso e do PMDB, principal partido de sustentação do Governo, estão, gradativamente nos bastidores, trazendo de volta ao debate político a questão do terceiro mandato consecutivo para o presidente Lula(foto). E o próprio Lula já está admitindo essa possibilidade, após anúncio da doença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata à sucessão em 2010, cuja viabilidade agora é posta em dúvida. Mais repugnante nisso tudo é que o câncer da ministra vem sendo usado como marketing eleitoral pelo próprio Lula e pela própria ministra, embora ambos condenem publicamente os que adotam essa postura de mau gosto.

Que Lula passará à história como o Presidente mais ambíguo do Brasil já não é mais novidade. Contradições entre Lula da oposição e o Lula do Governo são de deixar frade de pedra corado. Clientelis-mo do Bolsa-Família, carro-chefe do seu Governo, é algo que seria execrado no seu discurso de oposição. Mas, comportamento do presidente Lula nos últimos dias tem ultrapassado os limites dessa ambigüidade compreensível para externar um exercício de sua ambição ou quase obsessão pela permanência no poder. Chegou ao ponto de ceder às pressões do presidente do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer, e sair em defesa pública da indecente farra área milionária de senadores e deputados, veementemente condenada pela opinião pública. Para o presidente Lula, isso é hipocrisia da mídia e da sociedade brasileira. Como hipocrisia? Quer dizer que, para Lula, na oposição arauto da ética, da moral e dos bons costumes, agora, no governo, usar o dinheiro público abusivamente é a coisa mais natural do mundo. Fica quase impossível acreditar numa contradição tão grande. Mas é fácil compreender o que está por trás disso: o jogo da sucessão presidencial. Embora diga o contrário, publicamente, Lula quer permanecer no poder de qualquer jeito: ou com sua “laranja”, ministra Dilma Rousseff, ou ele próprio. Por isso, mais do que nunca, o presidente Lula atenderá todos os apelos do Congresso e principalmente do PMDB sem o qual não consegue governar. Até eventuais apelos indecentes. Mesmo porque já não há decência nem mesmo em relação à grave doença de sua candidata, que vem sendo usada como marke-ting eleitoral para 2010. Uma coisa é o vice-presidente José Alencar estar fazendo tratamento de câncer, sair de uma quimioterapia e explicar aos jornalistas, por respeito à opinião pública, o que está sofrendo. Outra, bem diferente, é convocar entrevista coletiva para anunciar sua doença, como fez a ministra, por determinação do Presidente, alegando transparência. Transparência nada. Ninguém faz isso gratuitamente, exibindo uma coisa dolorosa pessoal que todo mundo tenta ocultar. Que a ministra fique livre dessa, independentemente de sua candidatura. Em verdade, é tudo jogo de ambição política: se a doença da ministra melhorar o Ibope dela, pelo sentimento de solidariedade nacional, bom para Lula que fará sua “laranja” sucessora; se derrubar o Ibope dela, melhor para Lula, que vai ao terceiro mandato consecutivo através de emenda constitucional e, para isso, contará com o Congresso e, especialmente, o PMDB. Lula sabe que estará reeeleito tran-quilamente porque tem mais de 60% dos votos já comprados pelo Bolsa-Família, Bolsa-MST, Bolsa-UNI, Bolsa-UNE, Bolsa-Sindicatos e outras bolsas que beneficiam mais da metade dos 125 milhões de eleitores. Por isso, Lula não está nem aí para a indecência de defender mensaleiros, sanguessugas e farristas aéreos do Congresso. Nem para o uso da doença da Dilma como marketing eleitoral. Depois do Mensalão e dos cuecões de dólares do PT, sem reação da sociedade, vale tudo. Ética, moral e decência fazem parte do lixo da história. Bye, bye, Brasil!
Embora condeem publicamente como postura de mau gosto, Lula e Dilma usam grave doença dela como marketing eleitoral em nome da ambição por um projeto de poder e de partido para o qual vale tudo, inclusive qualquer indecência.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva