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Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 10/05/2009

A TERCEIRA VIA EM FRANGALHOS
“O futuro da esquerda está em adotar a modernização, ou, em outras palavras, em ela-borar políticas que nos ajudem a preservar e a aprofundar os valores da esquerda na era da globa-lização”. A frase é do renomado sociólogo inglês Anthony Giddens, considerado o pai da chamada “terceira via”, corrente política que se pretendia a superação do conflito entre uma social-democracia abalada pela crise fiscal dos Estados de Bem Estar social na Europa e um emergente neoliberalismo que flores-cia a partir do Consenso de Washington, corrente cuja expressão concreta mais clara sempre foi o Partido Trabalhista britânico e, mais especificamente, seu entusiasmado adepto, o ex-primeiro ministro Tony Blair. Em suma, Giddens acreditava que o sucesso político da esquerda mundial estava na capacidade de adaptar suas concepções à triunfante e modernizante economia de mercado, abandonando o papel redistribuidor tradicionalmente atribuído ao Estado, mas sem perder de vista noções gerais que deveriam se manter objetivos políticos de renovados indivíduos e agentes coletivos. Foi Blair quem, inclusive, exigiu de seus correligionários o fim da famosa diretriz, até então viva no programa trabalhista apenas como um símbolo, da apropriação dos meios de produção, para que pudesse emergir como liderança que enterraria a era Thatcher. Hoje, sob o comando do Gordon




Brown, o trabalhismo britânico está em frangalhos. Enfrentando incontáveis fissuras internas, teme uma devastação eleitoral para o Partido Conservador em 2010 e, mais urgentemente, nas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para julho próximo. Duas crises, uma relacionada às denúncias de mau uso por aparte dos

parlamentares trabalhistas do sistema de benefícios a que têm direito – num drama surpreendentemente semelhante ao que tomou conta do Congresso brasileiro nas últimas semanas – e outra vinculada ao projeto restritivo de Brown para estrangeiros que serviram ao Exército britânico, colocaram em cheque a coesão interna e a competitividade externa do partido. A crise que acomete os trabalhistas expõe a dimensão fracassada da terceira via, que pretendeu conciliar o irreconciliável ao tentar equalizar um frouxo compromisso com “valores de esquerda” aos processos globalizado-res ditados pelas finanças internacionais, e as manifestações concretas de suas diretrizes: após anos no poder, a era Blair/Brown dificilmente tem a apresentar mais do que um histórico de adoção e efetivação acrítica das políticas privatizantes e desregulamentadoras pregadas pelo neolibera-lismo e o alinhamento automático e fiel aos ímpetos mais beligerantes de Washington. Uma das contestações mais firmes de Giddens à social-democracia européia clássica que emergiu do pós-guerra é que ela concedia direitos aos cidadãos sem dar a devida ênfase às suas responsabilidades. O trabalhismo britânico de Giddens, hoje, é quem está prestes a ser responsabilizado, política e eleitoralmente, pelas conseqüências de seus equívocos.



BOMBARDEIO - O Paquistão está à beira do caos. Cresce a ofensiva talibã no norte do país. O Governo Barack Obama teme a afeganização do Paquistão e maiores dificuldades no combate ao terrorismo. Bombardeiro dessa semana matando mais de 140 civis afegãos piorou tudo.

Gripe Suina
Drama no Índico
Zuma Presidente
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, até essa sexta-feira, já se registravam mais de 2.300 casos de gripe suína em 24 países, contabilizando 44 mortes, quase todas no México.

Foto: Presidente Raúl Castro
Em fuga desesperada dos bombardeios no nordeste do Sri Lanka, onde se concentram os combates entre Governo e rebeldes, 21 refugiados usaram um barco para se protegerem, nessa semana, e ficaram em alto mar sem comida e sem água. Mas a tentativa de salvação virou uma tragédia. Como motor quebrado, a embarcação ficou à deriva no Oceano Índico e dos refugiados a bordo, 10 morreram pulando no mar em desespero. Mais de mil civis já morreram nesses combates entre Governo e rebeldes.
Parlamento da África do Sul confirmou, nessa semana, o novo presidente do país, Jacob Zuma, eleito com 2778 votos dos 400 da casa. Prioridade de Zuma é a geração de novos empregos.

Foto: Presidente Barack Obama

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