José Agripino


Somente em novembro o Governo Lula liberou R$ 644 milhões em emendas parlamentares para garantir os votos de senadores na aprovação da CPMF contra a vontade dos brasileiros.
NEGOCIATAS DA CPMF: R$ 2 BILHÕES
Até a votação do segundo turno da famigerada CPMF, no Senado, possivelmente antes do Natal, o Governo Lula terá liberado cerca de R$ 2 bilhões, batendo recorde de emendas parlamentares, em suas negociatas com senadores para aprovação do maldito imposto rejeitado por 95% dos brasileiros. Somente em novembro foram liberados mais de R$ 644 milhões, garante o senador e líder do DEM, José Agripino(foto), que está com sua bancada inteiramente mobilizada e em estado de permanente alerta contra manobras do Governo. “Vamos conferir os votos até a última hora para não perder o que a sociedade deseja, que é o fim da CPMF”, assegura.

Com o mesmo procedimento adotado durante o Mensalão, maior escândalo de corrupção da história da República, quando, comprovadamente, comprou votos no Congresso para aprovar projetos do seu interesse, agora o Governo está negociando votos para aprovar a CPMF. Com uma diferença: tem usado dinheiro apenas do Orçamento, legalizado e legitimado sob a denominação de emendas parlamentares. Decidido a não perder a CPMF de R$ 40 bilhões ao ano, o Governo abriu os cofres a partir de julho e intensificou as barganhas em agosto, setembro e outubro. Em novembro, deu uma abertura maior liberando R$ 644 milhões. Seguramente, quando o segundo turno da CPMF chegar, essa conta terá ultrapassado R$ 1,5 bilhão e chegado perto dos R$ 2 bilhões. Embora esteja procurando convencer os senadores mais resistentes, individualmente, o Governo tem preferido atacar por bancadas estaduais e sobretudo minar as bases do PSDB, partido que não fechou totalmente contra a CPMF, para obter um resultado mais eficiente. Assim, segundo levantamentos apresentados pelo senador José Agripino, baseado no Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, governados por tucanos, tem sido os alvos principais: R$ 88,7 milhões para Minas de Aécio Neves, R$ 18 milhões para o Rio Grande de Yeda Crusius e R$ 15,6 milhões para São Paulo de José Serra. Objetivo de Lula é claro: conquistar a simpatia e o apoio desses governadores para influenciar e convencer suas bancadas em votação favorável à CPMF. E os três estão tentando cumprir esse papel. Curiosamente, essas liberações para bancadas de oposicionistas acabam sendo argumentação de legitimação para a generosidade dos cofres do Governo com bancadas de aliados: R$ 69 milhões para o Pará da petista Ana Júlia, R$ 41 milhões para o Amapá do senador peemedebista-petista José Sarney, R$ 29 milhões para a Bahia do petista Jaques Wagner e R$ 29 milhões para o Acre do senador petista Tião Viana, presidente interino do Congresso. Quando os ministros e líderes do Governo dizem que estão fazendo “todo o esforço possível” para aprovar a CPMF, na verdade, estão falando do balcão de negócios em que se transformou a obsessão do presidente Lula para prorrogação do imposto, criado para durar apenas três anos e já vai com 11 anos sugando o povo brasileiro. Mesmo com tanto dinheiro em jogo, o Governo ainda não tem os 49 votos necessários para ganhar as duas batalhas finais, primeiro e segundo turnos no Senado. Durante reunião com seus principais ministros, nessa semana, no Palácio do Planalto, o presidente Lula demonstrou preocupação e pediu maior empenho de todos em defesa da CPMF. Solicitado a ficar em Brasília nesses dias, Lula justificou não poder cancelar suas viagens programadas para Argentina, neste domingo(09) e, na seqüência, Venezuela e Uruguai. Já na oposição, a recomendação é, segundo o senador José Agripino, “agir com toda a cautela, dia a dia”. Na verdade, quase metade do Senado ainda está resistindo bravamente aos apelos da dinheirama que sai dos cofres do Governo, preferindo ficar ao lado do povo que exige o fim da injusta e perversa CPMF em 31 de dezembro próximo.
Liberação de recursos do Orçamento para senadores em dezembro poderá ultrapassar R$ 650 milhões já que é o mês das duas batalhas finais no Senado para prorrogação da CPMF até 2011.

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