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| Jornal das Vozes Livres de Brasília | |
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A
ESPIRAL DO SILÊNCIO
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| intenção de voto no último instante, quebrando todas suas previsões, desenvolveu a tese de que não basta uma posição política estar individualmente consolidada, é preciso que ela atinja expressão na cena pública. Ou seja, se todos os defensores de uma posição a guardarem para si mesmo, a cena pública será dominada pelos posicionamentos adversários, dando uma falsa impressão da real divisão de opiniões numa sociedade. O problema é que a pesquisadora alemã mostrou que essa divisão falsa acaba se concretizando. Primeiro, porque os partidários da posição “silenciosa” alimentam o processo se calando cada vez mais para evitarem os constrangimentos |
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sentimento de pertenci-mento social. Uma vontade de pertencer à maioria e não se sentir excluído, isolado. O chamado efeito bandwagon. Quem tem mais chances de vencer acaba atraindo ainda mais partidários. Esse não foi o caso venezuelano. Tanto partidários do “sim” quanto do “não” se faziam intensamente presentes na cena pública, seja nos meios de comunicação de massa seja nas mobilizações de rua. Logo, o resultado eleitoral foi mais ou menos o que se esperava da divisão de correntes de opinião. Já as últimas eleições brasileiras foram um prato cheio para os adeptos da teoria de Noelle-Neumann. Siste |
maticamente, a fornalha que saía das urnas divergia em até vinte pontos
percentuais do que previa o Ibope. A destacar, entre outros, a ascensão
de Geraldo Alckmin no final do primeiro turno e as vitórias de Yeda Crusius
no Rio Grande do Sul e Jaques Wagner na Bahia. Como amplas parcelas do eleitorado
brasileiro se inserem exatamente no perfil apontado pela pesquisadora alemã,
como detentor do maior potencial de mudança de intenção de voto, mais do
que nunca é preciso cautela ao lidar com números do Ibope e similares. Afinal,
2008 vem aí. *Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub. |