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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 09/12/2007

A ESPIRAL DO SILÊNCIO
derrota de Hugo Chávez no referendo sobre o novo texto constitucional venezue-lano não foi nenhuma surpresa, ao contrário do que muitos afirmaram. Esta coluna já havia antecipado que, por razões políticas concretas, Chávez nunca estivera tão fraco desde que chegou ao poder. Durante toda a campanha, as sondagens de opinião apontavam corretamente para uma disputa equilibrada entre o sim e o não. Na década de 70, a pesquisadora alemã Elisabeth Noelle-Neumann ficou famosa pela chamada teoria da espiral do silêncio. Noelle-Neumann era dona de um instituto de pesquisa eleitoral alemão e, após anos intrigada com a forma pela qual eleitores mudavam a intenção de voto no último instante, quebrando todas suas previsões, desenvolveu a tese de que não basta uma posição política estar individualmente consolidada, é preciso que ela atinja expressão na cena pública. Ou seja, se todos os defensores de uma posição a guardarem para si mesmo, a cena pública será dominada pelos posicionamentos adversários, dando uma falsa impressão da real divisão de opiniões numa sociedade. O problema é que a pesquisadora alemã mostrou que essa divisão falsa acaba se concretizando. Primeiro, porque os partidários da posição “silenciosa” alimentam o processo se calando cada vez mais para evitarem os constrangimentos





sociais de divergirem do que eles acreditam ser a posição dominante. E, segundo, porque eleitores indecisos, sem muita confiança nas próprias convicções políticas ou sem muito conhecimento sobre o assunto, acabam no último instante aderindo à posição que se apresenta como a vitoriosa por um simples

sentimento de pertenci-mento social. Uma vontade de pertencer à maioria e não se sentir excluído, isolado. O chamado efeito bandwagon. Quem tem mais chances de vencer acaba atraindo ainda mais partidários. Esse não foi o caso venezuelano. Tanto partidários do “sim” quanto do “não” se faziam intensamente presentes na cena pública, seja nos meios de comunicação de massa seja nas mobilizações de rua. Logo, o resultado eleitoral foi mais ou menos o que se esperava da divisão de correntes de opinião. Já as últimas eleições brasileiras foram um prato cheio para os adeptos da teoria de Noelle-Neumann. Siste maticamente, a fornalha que saía das urnas divergia em até vinte pontos percentuais do que previa o Ibope. A destacar, entre outros, a ascensão de Geraldo Alckmin no final do primeiro turno e as vitórias de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul e Jaques Wagner na Bahia. Como amplas parcelas do eleitorado brasileiro se inserem exatamente no perfil apontado pela pesquisadora alemã, como detentor do maior potencial de mudança de intenção de voto, mais do que nunca é preciso cautela ao lidar com números do Ibope e similares. Afinal, 2008 vem aí.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

 

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