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O Presidente da República andou falando que a crise não chegaria
ao País, não atravessaria o oceano Atlântico – a crise hoje
já atravessou todos os oceanos – e que o Brasil estava isento
disso, pois os pressupostos da economia brasileira estavam todos
assegurados. Realmente, o Presidente recebeu o Brasil numa situação
confortável e não procurou fazer nenhum desvio. Justiça se faça.
Por isso, a economia se encontra hoje de forma bastante sólida.
Mas não a ponto de um Presidente da República dizer bobagens:
falar para o brasileiro que consuma mais; que não vai editar
pacotes, que quem quiser saber mais sobre a crise deve perguntar
a Bush, o Presidente dos Estados Unidos. Quer dizer, brincou,
subestimou, não dimensionou a crise |
como era. E agora nos apresenta mais do que um pacote, é um
pacotão. É mais do que o Proer de FHC. É um Proer feito às caladas
da noite. Essa Medida Provisória, apresentada de madrugada,
de nº 443, de 22 de outubro, quarta-feira, mostra uma coisa
que, para mim, é fundamental: a improvisação com que o País
hoje é governado. O Presidente da República diz que não vai
ter crise, que o Brasil não vai ser afetado. Ao contrário, as
coisas estão acontecendo, porque não acontecem só no Brasil,
estão acontecendo no mundo inteiro. O Presidente devia preparar
o País, começar a reduzir gasto público, ajustar o orçamento
de 2009 para um ano que vai ser muito difícil. Mas nada disso
foi feito. Foi feita uma Medida Provisória autorizando os dois
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Jarbas Vasconcelos*
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"O pacote de Lula é de papel de embrulhar prego.
O Proer de FHC pelo menos tinha uma sistemática: passou
por aqui, foi discutido no Congresso”
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grandes bancos oficiais – Banco do Brasil e Caixa Econômica
– a adquirir o controle de bancos que estão para quebrar. Por
que o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o Guido
Mantega, que estiveram na Câmara dos Deputados, de onde sairam
à noite, não anunciaram essa Medida Provisória? Porque a Câmara
dos Deputados não vale nada. O Senado é uma coisa menor também.
Lula diz que tem 80% de aprovação popular e não deve mais satisfação
a ninguém. Então, o Congresso também entrou nessa vala comum.
O Governo mandou, na calada da noite, essa Medida Provisória
que vai permitir salvar bancos quebrados, comprar ação de bancos
públicos ou privados. É isso que está acontecendo. Isso tudo
poderia estar |
enquadrado dentro de um contexto geral, internacional que está
ocorrendo. Mas o Presidente da República disse que isso não
ia acontecer, que o brasileiro ficasse tranqüilo. Então, isso
é muito difícil. Eu não posso deixar de fazer este registro
porque vai exatamente na contramão do que o Presidente dizia,
que não ia ter medida, que não ia ter pacote. O pacote que ele
mandou agora é daqueles de papel de embrulhar prego. O Proer
de FHC pelo menos tinha uma sistemática: passou pelo Congresso,
onde foi discutido. Agora não, agora é Medida Provisória empurrada
goela adentro. O Congresso, que já estava de joelhos, agora
vai ficar completamente caído no chão.
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Jarbas Vasconcelos é senador do PMDB-PE
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