Lula da Silva


Com seu Governo e seu PT no banco dos réus do Mensalão, o presidente Lula parece perturbado e autoprivado de memória ao ponto de considerar seu partido o mais ético do País.
MENTECAPTO DIANTE DO MENSALÃO
“Ninguém neste País tem mais autoridade moral e ética do que o PT”. Depois da decisão histórica do Supremo, que transformou em réus os 40 da quadrilha do PT, responsável pelo Mensalão, maior escândalo de corrupção do Governo Lula e da história da República, essa sentença só pode ter duas interpretações: ou é dissimulação ou é alienação. Duas alternativas muito preocupantes porque demonstra, claramente, fuga da verdade. Mais grave: é uma sentença do presidente Lula da Silva(foto) dita, propositalmente, para enganar ou animar os três mil participantes do 3º Congresso do PT realizado em São Paulo. Fora do PT, interpretada como delírio.

Como seu Governo e o PT estão agora, por decisão do Supremo, no banco dos réus do Mensalão, o presidente Lula parece perturbado. Seu argumento de que os brasileiros já julgaram seu Governo com a reeleição, em 2006, não tem sustentação. Primeiro, porque o povo, em sua maioria ignorante, não sabe votar. E segundo, porque esse mesmo povo deixou-se manipular pela propaganda presidencial do “não sabia de nada”, estratégia defensiva que deu certo. Entretanto, agora, mais de dois anos e meio depois do escândalo descoberto e avali-zada pelo Supremo a denunciada existência da quadrilha do PT, que praticou os mais variados crimes contra a administração pública, conforme a Procuradoria-Geral da República, é inadmissível o presidente Lula ultrapassar o limite da razão, da lógica, da sensatez e servir-se de sofisma contemplando o PT com uma benevolência que ele não merece. Embora o julgamento pelo Supremo esteja apenas começando, não havendo, portanto, ainda, ninguém condenado nem inocentado, o que só deve ocorrer em dois ou três anos, dirigentes e líderes históricos do PT, como Dirceu, Genoino, Delúbio e Silvio Pereira, fundamentais na eleição e no primeiro mandato de Lula, são denunciados por formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Que sempre houve corruptos em outros partidos, é verdade. Mas, nunca antes um partido teve a ousadia que teve o PT montando uma organização criminosa de corrupção dentro do Governo. Com isso, o PT jogou no lixo sua pregação ética de mais de 20 anos e se tornou o partido mais corrupto da República. Por isso, o pronunciamento do presidente Lula no 3º Congresso do PT deve ser avaliado mais como uma peça de retórica em aula magna da escola cínica socrática – (alô petistas, nada a ver com o Sócrates co-rinthiano -) – caracterizada pela desvergonha e desfaçatez. Nem os maiores mestres do cinismo, Antístenes e Diógenes, cometeriam o desatino de considerar o PT um partido com autoridade moral e ética como diz o Presidente porque a verdade insofismável é exatamente o contrário. E, lamentavelmente, o PT ético que existiu lá atrás, durante mais de 20 anos, foi apenas um disfarce muito bem articulado para chegar ao Governo. Depois de instalado no Palácio, o PT revelou-se ao Brasil pior do que os outros partidos, dedicando-se à arrecadação de R$ 1 bilhão em recursos ilícitos para garantir sua permanência no Poder. Diante disso, o comportamento condescendente do presidente Lula em relação à quadrilha de corruptos do PT é ou de alguém que está perturbado, auto-privado de memória, ou radical e ativamente posto contra a realidade. Que procura fazer prevalecer uma dialética de argumentação falsa para confundir ou convencer aloprados do PT, seus militantes e seus eleitores desinformados de que o Governo e seu partido são inatacáveis. Para isso, vale qualquer digressão lógica ou histórica ou até mesmo falsa dismnésia como recurso escapista ao confronto com a verdade. Com esses movimentos contraditórios e chocantes disparates, consciente ou inconscientemente, Lula já daria um novo e robusto livro para o saudoso Fernando Sabino, autor de “O Mentecapto”.
Diante da argumentação do Supremo sobre a quadrilha do PT, é inadmissível Lula ultrapassar o limite da razão, da lógica e da sensatez para contemplar seu partido com benevolência.

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