FATOSÍNTESE

Essa reforma sem redução de impostos é só factóide

Lula apresentando aos empresários o novo projeto de Reforma Tributária
De modo geral, o novo projeto de reforma tributária apresentado pelo presidente Lula da Silva aos empresários, nesse semana, “está no rumo certo”, segundo eles. Mas esperam que a racionalização tributária, o crescimento econômico e o aumento da arrecadação obriguem o Governo a fazer desonerações e, principalmente, diminuir a carga de impostos, hoje em 38% do PIB e considerada insuportável para a sociedade e para o sistema produtivo porque é a maior do mundo. Mais importantes pontos da proposta do Governo Lula são: criado o IVA-Imposto sobre Valor Adicionado, que unificará quatro tributos federais(Cofins, PIS, Cide e Salário-Educação); ICMS passa a ser cobrado no destino e não mais na origem; e as legislações estaduais do ICMS são unificadas para dificultar as concessões de incentivos fiscais. O texto mantém em vigor a contribuição destinada ao financiamento da Previdência. Em nenhum momento, a proposta do Governo a ser analisada agora pelo Congresso, prevê redução da carga tributária. Pelo contrário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao dar explicações sobre o projeto, fez questão de dizer que a proposta não indica que haverá congelamento da atual carga de impostos. Garan-tiu apenas que a reforma não produzirá aumento de carga tributária, mas desconversou sobre sua redução. E ainda descartou qualquer possibilidade de criação de um gatilho que obrigue o Governo a reduzir os tributos toda vez que o peso do impostos atingir determinado patamar. Mantega disse claramente: as mudanças que serão realizadas pela reforma tributária não poderão resultar em receita para o Tesouro Nacional maior do que a atual; se, com a reforma, a carga ficar maior, o Governo reduzirá as alíquotas de seus tributos; depois desses ajustes, a arrecadação poderá até aumentar mas o Governo não reduzirá a carga porque sua elevação decorrerá do crescimento da economia e dos maiores investimentos e dos negócios. Em resumo: o Governo Lula está propondo uma reforma tributária que não vai reduzir a carga de impostos sobre a sociedade brasileira, devendo ficar seu peso como está, em 38% do PIB nacional, mas vai aumentar a arrecadação federal. Por isso, os empresários desejam que o projeto tenha os necessários debates no Congresso Nacional a fim de que seja possível uma redução da carga tributária. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria-CNI, Armando
Monteiro, a proposta significa “o triunfo da idéia de harmonização do sistema tributário nacional com o padrão internacional”. Mais do que os empresários, questionando a falta de compromisso do Governo com a redução da carga tributária, os secretários estaduais de Fazenda estão desconfiados da proposta e da intenção do Palácio do Planalto de punir os Estados que derem incentivo fiscal a partir do novo sistema. Em sua maioria, consideram um avanço, mas dizem que precisam analisar o texto destinado

Governo Lula está propondo uma reforma tributária que não vai reduzir a carga de impostos sobre a sociedade brasileira, devendo ficar seu peso como está, em 38% do PIB nacional
ao Congresso. Uma decisão foi tomada em Brasília: os governadores do Nordeste tomarão posição conjunta sobre o novo projeto de reforma tributária. Como essa reforma, prometida por Lula desde o início de seu Governo e sempre adiada, reaparece agora em pleno de eleições municipais, tendo o Congresso dificuldades para cumprir sua agenda no primeiro semestre e mais ainda no segundo, outra desconfiança mexe com empresários e políticos: se o próprio presidente Lula reconhece que será muito difícil a aprovação da reforma este ano, então, esse relançamento dela pode ser apenas um factóide do Governo para desviar o foco de atenção do Congresso e da sociedade sobre o escândalo dos cartões corporativos que representa uma farra milionária com o dinheiro público, envolvendo até familiares do Presidente. Pode ser!

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