oaquim Roriz
renunciou ao seu mandato para não ter seu caso levado ao Conselho de Ética
do Senado. Se isso acontecesse, o ex-senador correria o risco de perder,
pelos próximos oito anos, seus direitos políticos. Mas nem por isso teria
abdicado de uma estratégia que leva em conta a generosidade da legislação
eleitoral quando diz respeito à quebra de decoro parlamentar dos ‘profissionais’
do ramo. Joaquim Roriz não é apenas mais um simples ‘profissional’. Trata-se
de um magnífico exemplar da mais perfeita |
encarnação do ‘coronelismo’ político brasileiro. E esse tipo de animal político
não se deixa abater facilmente, isso todo mundo sabe. O plano elaborado
por alguns assessores de Roriz seria convencer seus suplentes a renunciarem
com ele. O argumento era de que não teriam vida longa no Senado. Por exemplo,
o primeiro suplente do ex-senador, Gim Argello, tem mais de um processo,
um deles por negociatas com terrenos do governo do DF, e que podem vir à
tona assim que tomar posse. Aliás, Heloisa Helena, do PSOL já avisou. Assim
que Gim |
Argello tomar posse
entra com uma representação contra ele no célebre Conselho. Além disso,
a revista ‘Veja’ dessa semana revelou que Roriz teria subornado dois juízes
do TRE do Distrito
Federal.
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Acusado de crime eleitoral na campanha para o Senado, o processo ia mal
para o seu lado. Três dos seis juízes já haviam votado contra. Dois a favor.
Mas Roriz conseguiu virar o placar. Um juiz mudou o voto e o colega que
faltava votar também lhe deu ganho de causa. Roriz teria confessado o suborno
ao seu primeiro suplente, Gim Argello. Este, ao saber da reportagem, teve
um “piripaque” , foi internado com suspeita de infarto, mas teve alta no
dia seguinte. A tentativa de intimidar o suplente parece não ter funcionado.
Gim Argello |
já mandou dizer que está pronto para assumir o posto, enfrentar as turbulências
que aparecerem. Assim, desmoronou a esperança de Roriz de que, com uma renúncia
em bloco, o Senado fosse obrigado a realizar imediatamente uma eleição suplementar.
Joaquim Roriz eleito para preencher a vaga de Joaquim Roriz, que renunciou.
Ninguém sabe se foi sonho, delírio ou miragem. Aliás, ‘Miragem’ é o nome
da bezerra por quem Roriz se apaixonou a ponto de, para adquiri-la, pedir
uns trocados ao amigo Nenê Constantino. |