Joaquim Roriz


Com sua renúncia ao Senado, perdendo o foro privilegiado do Supremo, Roriz agora vai responder aos processos criminais junto ao Ministério Público e à Justiça do DF.
DESAFIO AGORA É VOLTAR AO BURITI
Com 71 anos de idade, dos quais 47 de vitoriosa carreira política, tendo sido vereador, prefeito, deputado estadual e deputado federal por Goiás e quatro vezes governador do DF, o ex-senador Joaquim Roriz(foto), que renunciou essa semana para não ser cassado pelo envolvimento em partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões estranhamente descontado no Banco de Brasília, agora, sem mandato e sem foro privilegiado, já se dedica aos novos desafios e objetivos: enfrentar as investigações da Polícia Civil do DF, sustentar sua defesa junto ao Ministério Público, reconstruir sua imagem afetada pelo escândalo e se preparar para voltar ao Buriti em 2010.

Sem o apoio do seu próprio partido, o PMDB, desprezado pelos colegas e sem saída honrosa, Roriz teve que renunciar ao Senado, uma das decisões mais angustiantes de sua vida pública. Não resistiu à pressão e ao abandono. “Minha inocência, por mim proclamada e insistentemente repetida, não mereceu acolhida”, justificou. Decisão da Mesa Diretora do Senado de enviar ao Conselho de Ética processo contra ele por quebra de decoro parlamentar deixou-o em situação crucial: ou renunciava ou corria o risco de ser cassado. Sem poder e sem articulação, viu-se completamenmte isolado. Prevendo que não escaparia da cassação, renunciou. Agora, sem imunidade parlamentar, vai responder aos processos criminais junto ao Ministério Público e à Justiça do DF. Desde que foi de nunciado e passou a ser investigado há 15 dias, Roriz manteve uma única linha de defesa aos ataques. Em notas oficiais e pronunciamento no Senado, a mesma explicação: do cheque do Banco do Brasil, no valor de R$ 2,2 milhões emitido pela Agrícola Xingu em nome de Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas, descontado no BRB, ficou apenas com R$ 300 mil, em empréstimo com o qual pagou a compra de uma bezerra à Associação de Ensino de Marília, São Paulo, e de cujas transações apresentou documentos de comprovação. Entretanto, os dialogos gravados pela Polícia, entre Roriz e o ex-presidente do BRB, Tarcísio Franklin, preso e liberado, acusado de chefia quadrilha que desviou R$ 50 milhões do banco estatal, combinando a partilha do dinheiro de Constantino, permanecem alimentando suspeitas. Mais ainda porque Roriz é dono da Agropecuária Palma, a 50 quilômetros de Brasília, com 6,2 mil de bovinos avaliados em R$ 2,8 milhões, e não teria, em tese, necessidade de empréstimo de apenas R$ 300 mil. Mas ele não conseguiu convencer seus colegas senadores, nem a opinião pública. Para agravar a situação, surgiram novas denúncias: seu possível envolvimento no negócio de um terreno em Brasília comprado por empresa que tem Constantino como investidor e que obteve R$ 75 milhões de valorização imediatamente após aprovação de projeto na Câmara Legislativa do DF por aliados do ex-governador; e o seu suposto pagamento de propina, no valor de R$ 1,9 milhão, a dois juizes do TER-DF, para evitar que tivesse cassado o registro de sua candidatura ao Senado na eleição de 2006. Em conseqüência, seu mandato ficou insustentável. Como nunca teve vocação para o Legislativo e passou no Senado apenas seis meses, Roriz agora vai retomar seu objetivo de trabalhar para voltar ao GDF nas próximas eleições. Diante do compromisso do atual governador Roberto Arruda de não tentar a reeleição, tudo indica que Roriz vai ter como principal adversário nas urnas o vice-governador Paulo Octávio. Mas, até lá, não será nada fácil. Fora do poder e sem privilégios, terá que responder aos processos na Justiça e superar os inevitáveis e desgastantes desdobramentos desse escândalo. Serão mais de dois anos e meio para as eleições de 2010, quando terá 74 anos, e falta muita água passar debaixo da ponte. Mesmo assim ele rejeita a idéia de que pode ter chegado ao fim do caminho.
Objetivos de Roriz agora são garantir a defesa de sua inocência, reconstruir a sua imagem afetada pelo escândalo e trabalhar para tentar voltar ao GDF nas próximas eleições em 2010.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva