Carlos Minc


Cresce preocupação nacional e internacional com a preservação da Amazônia, pois dos seus 4 milhões de km2, 700 mil já estão devastados e desmatamento está para atingir taxa anual de 20 mil km2.
SOLUÇÃO ALOPRADA: BOIS EXPIATÓRIOS
Dos 4 milhões de km2, 700 mil já estão devastados. De acordo com o sistema de detecção em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, somente nos últimos oito meses, de agosto de 2007 a abril deste 2008, mais 5.850 km2 foram desflorestados. Mais do que nos 12 meses anteriores, 4.974km2. Pela tendência, muito breve serão 20 mil km2 derrubados por ano. De quem é a culpa? O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc(foto), surpreendeu meio mundo, nessa semana, com uma resposta inusitada: os bois que pastam na Amazônia. Por isso, anunciou que fiscais do Governo vão prender bois que servirão para ajudar o programa Fome Zero.
Embora meio mundo esteja certo de que a culpa do criminoso desmatamento da Amazônia é de gananciosos e ousados donos de terra, fazendeiros, madeireiros e empresários do agronegócio, que desafiam a legislação e a fiscalização federais, impunemente, o ministro Carlos Minc argumenta, sem receio de parecer ridículo, que o problema maior está nos bois: “O gado é responsável por 70% ou 80% do desmatamento. E depois dele, vem sempre a soja”. Pelo jeito, a disposição do ministro é fazer o Governo Lula repetir o que fez o Governo Sarney: colocar fiscais correndo atrás dos bois. Vai ser preciso muito vaqueiro pois são 80 milhões de cabeças pastando na Amazõnia, quatro vezes mais do que a população em toda a região. Mas, para o ministro, se os pecua-ristas sentirem a perda dos bois não vão querer mais criar gado em área desmatada ilegalmente. Caso o Governo Lula assuma a proposta do seu performático ministro, será um desafio transformado em espetáculo para a Nação conferir porque o desmatamento está crescendo em ritmo acelerado. Oficialmente, somente no mês de abril passado 1.123 km2 foram devastados. Uma área equivalente à da município do Rio de Janeiro. Como o desflorestamento ao longo de 2007 foi de 11.200 km2, equivalente a sete vezes e meia a área da cidade de São Paulo, projeções indicam que muito breve será atingida a taxa anual de 20 mil km2. Isso significa que as medidas até agora adotadas pelo Governo não têm sido suficientes para barrar a devastação. Sobretudo no Mato Grosso, recordista, com 794,1 km2 desmatados somente nos últimos nove meses. Como o novo ministro do Meio Ambiente adora holofotes, tanto é que todos os dias ocupa muito espaço na mídia, sua argumentação está sob suspeita e críticas. Entre ambientalistas, reação é de ironia: não é caçando bois no pasto que se vai resolver o problema de devastação da Amazônia. Entre os empresários do agronegócio, clima de revolta: a atividade é responsável por 37% dos empregos e 29% do PIB nacional e o que necessita é de uma nova legislação ambiental para o País que respeite as diferenças regionais. Em verdade, há necessidade de cuidadoso ordenamento, criterioso zoneamento ecológico e fiscalização intensa para conter os abusos e agressões freqüentes contra a floresta considerada o pulmão do mundo. É nessa direção que precisa correr o Governo Lula, urgentemente, principalmente neste momento em que o mundo inteiro está de olhos na Amazônia e governos das maiores potências insistindo na tese de internacionali-zação da maior floresta tropical do mundo. Construir obras grandiosas, pensando apenas no resultado econômico e no seu efeito eleitoral, como querem o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, através do PAC, pode ser uma alternativa perigosa para alimentar ainda mais as críticas mundiais ao Brasil. Quanto à decisão de prender os bois, fanfarronice aloprada do ministro Carlos Minc, só tem uma sustentação: quanto mais gordos, mais floresta eles comem. Entretanto, será mais lógico e eficiente prender os donos das terras e desses rebanhos, pois, no caso, esses bois são apenas expiatórios.
Com sua fanfarronice de mandar prender rebanhos bovinos que pastam na Amazonia, para conter a devastação, o ministro Carlos Minc está lançando os vaqueiros de Lula para pegar bois expiatórios.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
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