| Destruição
das águas em Santa Catarina não é culpa da natureza, mas da inoperância
do Governo Federal que não investiu em obras de proteção ao Estado e sua
população contra cheias. |
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DESGOVERNO E DESASTRE CONSUMADO |
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Serão
necessários pelo menos dois anos para recuperação do Estado
de Santa Catarina, atingido nos últimos dias pela tragédia
de enchentes violentamente destruidoras: mais de 115 mortos,
mais de 80 mil desabrigados e desalojados, rodovias danificadas
e obstruídas, cidades inteiras inundadas, montanhas de terra,
lama e entulhos, prejuízos estimados acima de R$ 2 bilhões.
Depois de sobrevoar áreas destruídas, o presidente Lula da
Silva(foto) anunciou a liberação emergencial, pelo Governo
Federal, de R$ 1,6 bilhão para socorrer os catarinenses. Mas
o socorro imediato está sendo feito pelo Brasil solidário
com toneladas de alimentos, roupas e remédios.
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Será que essa tragédia das águas em Santa Catarina, reproduzindo
o terror do furacão sobre New Orleans, nos Estados Unidos, não
poderia ter sido evitada? Será que as cidades do Vale do Itajaí
não poderiam estar protegidas para não sofrer tanto com inundações
que se repetem a cada cinco anos? Será que o Governo Federal
não poderia ter feito alguma coisa para controle dessas enchentes
destruidoras que agora se registram em Santa Catarina, Rio de
Janeiro e Espírito Santo e que também, quase todos os anos,
causam enormes destruições e prejuízos em São Paulo, Minas,
Rio Grande do Sul e outros Estados? Até quando o Governo Federal
só vai agir depois que o Brasil vira cenário de terra arrasada
pelas águas? Agora, vai gastar muito mais para reconstruir Santa
Catarina do que se tivesse investido para proteger Santa |
Catarina. Durante reunião sobre o Plano Nacional sobre Mudanças
Climáticas, nessa semana, no Palácio do Planalto, o presidente
Lula propôs a criação de um grupo de trabalho no Governo, composto
pelos maiores especialistas em impactos ambientais no Brasil,
para estudar as causas que determinaram a tragédia em Santa
Catarina. Justificou: “Já tínhamos notícias de cheias e mais
cheias naquela região, mas nunca se tinha visto uma catástrofe
como esta, a maior na história de Santa Catarina”. Ou seja,
para o Governo e para o próprio Presidente, Santa Catarina é
um Estado de cheias freqüentes, como se isso fosse algo absolutamente
natural e contra o qual nada possa ser feito. Embora disso esteja
bem informado, Lula parece completamente desinformado ao propor
estudos sobre essas enchentes no Vale do Itajaí. |
Se tem uma coisa que não falta em Santa Catarina, São Paulo,
Rio, Belo Horizonte e Recife são estudos de Universidades e
centros especia-lizados em impactos ambientais sobre inundações,
suas causas, conseqüências e soluções. Em Santa Catarina mesmo,
há mais de 20 anos existem propostas para controle das enchentes
apontando, entre outras soluções, alargamento, desvio e desobstrução
do rio Itajaí, construção de barragens e diques, desocupação
de áreas de risco e reflorestamento de encostas. Mas, como o
Governo não assume esses estudos, nem libera recursos para execução
de suas propostas, porque são investimentos monumentais em obras
que não rendem votos, fica o povo vulnerável e sujeito às freqüentes
inundações e seus efeitos dramáticos. Estudos? Se o Governo
realmente quer |
demonstrar o mínimo de seriedade com a questão e de respeito
às vidas de milhares de brasileiros, basta ir aos centros universitários.
Em Pernambuco, terra do Presidente, que durante muitos anos,
no século passado, sofreu com cheias arrasadoras do rio Capibaribe,
o Governo Federal pode encontrar as soluções adequadas. Quando,
no início dos anos 1970, o Recife ficou 80% debaixo dágua, atingido
pela mais violenta inundação do século no Brasil, o presidente
Ernesto Geisel não determinou a criação de grupo de estudos.
Determinou a construção da grande barragem de Tapacurá, a 50
quilômetros da capital pernambucana. Desde então, o Recife tem
dormido tranqüilo nas temporadas de chuvas porque está protegida
de fortes inundações. Criar grupo de estudos é sinal de governo
inoperante ou desgoverno que só reage depois do desastre consumado. |
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Governo
Federal agora vai gastar muito mais para reconstruir Santa Catarina do que
se tivesse investido em obras para proteger Estado e sua população de inundações
arrasadoras no Vale do Itajaí. |