Jorge Félix


Sob pressão de ministros do Supremo e de senadores, o presidente Lula afastou o diretor da Agência Brasileira de Inteligência, mas ninguém acredita na investigação do escândalos dos grampos.
TERROR DO NOVO ESTADO POLICIAL
Mais de 10 milhões de brasileiros estão grampeados. Estimativa assustadora corre nos gabinetes do Congresso Nacional desconfiados de que o Governo Lula está implantando no Brasil um Estado Policial lembrando terror da ditadura militar. Em depoimento à CPI dos Grampos, nessa semana, o ministro da Segurança Institucional da Presidência, general Jorge Félix, admitiu a possibilidade de agentes da Agência Brasileira de Inteligência(Abin) terem feito escuta ilegal no gabinete do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes. Apesar das reações veementes do presidente Lula, o Governo é o principal suspeito nessa instauração do Estado Policial.

Quem é o chefe da Abin e à quem serve o trabalho de seus dois mil agentes? Delegado Paulo Lacerda, subordinado ao ministro do Gabinete de Segurança Institucio-nal da Presidência, general Jorge Félix, que atende diretamente ao presidente da República. Quem é o chefe da Polícia Federal e à quem serve o trabalho de seus quase 11 mil policiais? Delegado Fernando Corrêa, subordinado ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que atende diretamente ao presidente da República. Será que arapongas da Abin e arapongas da PF podem cometer delitos institucionais sem o conhecimento de seus chefes e respectivos ministros? É possível. Mas será que esses mesmos arapongas grampeariam o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, quarta maior autoridade do País, sem uma ordem superior? E essa ordem superior, sendo do delegado-diretor, não seria do conhecimento do seu respectivo ministro? E sendo avalizada pelo ministro, não seria do conhecimento do presidente Lula? Sob pressão dos ministros do Supremo e de senadores e para evitar que o novo escândalo chegue ao gabinete presidencial, como o Mensalão e o Dossiê contra FHC, Lula decidiu afastar o delegado Paulo Lacerda, que há cinco anos serve ao seu Governo, da direção da Abin. Uma medida mínima diante do tamanho e da gravidade do problema que agride a democracia brasileira. Como o escândalo pode ser resultado da luta de poder entre grupos antagônicos dentro da Abin e da PF, nada mais razoável do que o afastamento também do diretor da Polícia Federal. Como seus superiores, ministros Jorge Félix e Tarso Genro, são os responsáveis pelas ações das duas instituições, igualmente deveriam ser afastados para o caso ter investigação séria, isenta e profunda. Aliás, afastamento é pouco. Deviam ser todos, ministros e dirigentes, demitidos. Para agravar a suspeita sobre o Governo, não significa absolutamente nada a “indignação” do presidente Lula diante do mais recente e repudiável episódio de bisbilhotagem policia-lesca. Lula já manifestou “indignação” nos escândalos do Mensalão, do Dossê do PT contra Serra, do Dossiê da Dilma contra FHC e da Violação de Palocci ao Caseiro e o resultado o Brasil inteiro sabe. Foi alguém punido? Tem alguém preso? Desde o primeiro escândalo desse Governo, com o desenvolto assessor presidencial, Waldomiro Diniz, flagrado negociando propina em 2004, tem sido sempre assim: Lula afasta o companheiro acusado, fica “indignado”, promete “apuração rigorosa” e exige “punição exemplar para o culpado”. Bravatas com fim único de aliviar ou abafar crises. Depois, o próprio presidente Lula faz o que fez, nos últimos dias, em discurso durante comício em São Paulo, dizendo que os petistas men-saleiros da quadrilha chefiada pelo então ministro José Dirceu e demais aloprados desse Governo são vítimas de calúnias e infâmias. Nesses escândalos todos, como no caso agora dos grampos, das duas uma: ou Lula é verdadeiro, realmente não sabe nada e comprova seu despre-paro para governar, ou Lula é falso e engana a Nação sem assumir o seu papel de principal responsável pela administração pública federal. Infelizmente, para o Brasil e para os brasileiros, não existe uma terceira alternativa. Que Deus salve o Brasil desse novo Estado Policial!
Comportamento dúbio do presidente Lula, em todos os escândalos como neste dos grampos, deixa o Governo como principal suspeito de estar implantando no Brasil o Estado Policial.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva