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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 07/09/2008

MARCA DO SUPERFICIAL
fulminante ascensão de Márcio Lacerda (PSB), candidato à prefeitura de Belo Hori-zonte apoiado pelo gover-nador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), nas pesquisas de intenção de voto, saindo de um patamar inicial de 5% para os atuais 40%, o que, de antemão, gabarita Lacerda até mesmo para faturar o pleito já no primeiro turno, constitui, senão uma surpresa, certamente exemplo poderoso das formas superficiais de atrelamen-to do voto que marcam nosso sistema político. Afinal, tivesse nosso eleitor o mínimo do que se pressupõe ser um perfil ideológico e programático definido, somente um cataclisma político ou econômico poderia causar tamanha reviravolta em tão curto espaço de tempo. Mais do que imaginar tal característica como algo “intrínseco” a provar ad eternum suposta incapacidade do eleitor brasileiro de votar segundo parâmetros de racionalidade política entendidos como “superiores”, é necessário apontar os problemas estruturais do sistema eleitoral que contribuem para aprofundar certos padrões de comportamento. A limitação mais corrosiva do sistema eleitoral como mecanismo de expressão política é a incapacidade do voto de interpretar intensidades de preferências. Assim, o voto de um eleitor que prefira determinado projeto de sociedade expresso em um candidato ou partido a tal




ponto que estaria disposto a morrer por ele, por incontáveis razões, vale o mesmo que um eleitor que decida o seu voto na última hora só porque simpatizou um pouco mais com a feição de determinada figura no último horário eleitoral. Institucionalmente, ambos serão mais um entre milhões. O comportamento mais racional, nesse

caso, é, dado o ínfimo benefício potencial de um voto (a possibilidade de que a eleição de um candidato ou partido seja decidida pelo seu voto), o grande estímulo atuante é o de redução de custos eleitorais. Leia-se pouca disposição para adquirir informação e se dedicar à participação. Afinal de contas, politização e militância exigem muito de alguém. Somente num cenário desse tipo é que poucos dias de campanha e horários eleitorais seriam, como foram, suficientes para gerar tamanha alteração na opinião pública. As explicações tradicionais dão conta de que Márcio Lacerda é o candidato com mais tempo de televisão e tem o apoio de figuras altamente aprovadas da política local. Ora, na prática, isso é a admissão de que os eleitores mineiros simplesmente não sabiam que ele era secretário estadual de Aécio Neves e integrava o mesmo grupo político do prefeito Fernando Pimentel. Pior que isso, é a admissão de que, mesmo sem ter esse conhecimento, bastam alguns minutos de programas bem elaborados na televisão e 40% do eleitorado estão dispostos a votar em alguém que há poucos dias nem sabia quem era, em que governo atuava, qual partido integrava e outras informações tão básicas que quase não se dignificam a ser classificadas como “consciência” política. A grande máquina da superficialidade continua a ser bem alimentada.



AMEAÇA - Alerta vem da Bolívia. Fornecimento de gás para o Brasil e a Argentina poderá ser interrompido por causa dos protestos bolivianos contra a reforma da Constituição. Líderes da oposição ao Governo Evo Morales controlam departamentos com maiores reservas de gás.

Blindagem de Sarah
Discurso de McCain
Questão de Idade
Maior preocupação agora da equipe do candidato republicano à Casa Branca, John McCain, é blindar a vice na chapa, Sarah Palin. Ela está isolada da mídia e impedida de dar entrevistas. Primeiro, vai ser preparada.

Fazer discursos para grandes públicos não é o forte de McCain. Com seu corpo rígido, tem dificuldades para se comunicar. Exatamente ao contrário do candidato democrata, Barack Obama, que tem voz de barítono e movimentos fluídos, observam os especialistas. Por isso, a equipe de McCain está procurando treinar muito seu candidato diante das câmeras para melhorar o desempenho dele. Sobretudo em substância, porque em gestos e entonações vai ser difícil.
Enquanto os estrategistas de McCain insistem na falta de experiência de Obama, a equipe do democrata começa a mostrar a idade de 72 anos do republicano como um fator nega-tivo. É assunto deli-cado, mas vale tudo.


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