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Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 07/06/2009

TEMPO DE RECONCILIAÇÃO
Depois de décadas de conflitos, suspeitas, discórdias e desconfiança mútua, sobretudo durante o Governo Bush, final-mente, está surgindo a possibilidade de um novo tempo nas relações entre Estados Unidos e o mundo árabe dos muçulmanos. Discurso do presidente Barack Obama, nessa semana, na Universidade do Cairo, considerado histórico, pode ser o sinal dessa abertura para o novo tempo. Falando para uma plateia atenta e, pela televisão, para 1,5 bilhão de muçulmanos, inclusive citando os livros sagrados para o Oriente Médio, o Alcorão, a Torá e a Bíblia, Obama pediu a todos “um futuro de interesse mútuo e de respeito mútuo”. Mesmo consciente de que há muitas dificuldades para serem superadas, foi simpático, confiante, convincente e esperançoso na defesa de uma aproximação entre os Estados Unidos e os povos dessa região. “Enquanto nossa relação for definida por diferenças, nós daremos poder aos que semeiam o ódio e não a paz”, registrou Obama numa referência aos que se utilizam do radicalismo e do terrorismo para tornar o mundo ainda mais difícil. Para isso, segundo Obama, em sua reflexão antes de chegar ao Cairo, árabes e israelenses precisam aprender a ter conversas francas, parando de dizer uma coisa em público e outra em privado. Diante dos líderes da região, na Universidade do Cairo, pediu aos israelenses e




palestinos para quevoltem às conversações de paz interrompidas e o fim da violência crescente nos territórios ocupados. “Os israelenses precisam reconhecer que, como o direito de Israel existir não pode ser negado, o dos palestinos também não pode”, advertiu o presidente norte-americano, sempre na direção de “uma nova era

de reconciliação”. Embora não tenha antecipado, em medidas e ações concretas, como esses desejos e essas visões possam ser alcançados, seu discurso já representou uma mudança positiva real de atitude e de tom na relação dos Estados Unidos com o Oriente Médio. Exatamente no sentido oposto do ex-presidente George Bush, sempre vendo na região um Eixo do Mal e preparado para conflitos intermináveis sob os mais diversos argumentos. Estratégia de Obama é buscar uma maior aproximação com os árabes e países do chamado mundo islâmico onde a imagem dos Estados Unidos está dramaticamente deteriorada depois dos oito anos de Governo Bush dedicados a uma intensa “guerra ao terror”. Pode ser o começo do fim dos conflitos que também leve o mundo árabe a ter relações normais e civilizadas com Israel, contribuindo para novo tempo de paz e de segurança em todo o Oriente Médio. Não vai ser fácil porque as escolhas para soluções dos problemas são difíceis, envolvendo fatores econômicos, culturais e religiosos, mas, por isso mesmo, o discurso de Obama vale como um marco histórico de mudança e de esperança extirpando o ambiente hostil e abrindo espaço para a reconciliação num cenário de respeito, entendimento, legitimidade e dignidade.



QUEDA - Líderes da Polônia e da Alemanha e mais nove outros países que fizeram parte da ex-Cortina de Ferro comemoraram, nessa semana, os 20 anos da realização de eleições polonesas em 1989, com Lech Walesa, que determinaram o início de derrubada do regime comunista.

Reação de Osama
Cuba Recusa OEA
Renúncia de Gordon
Em reação ao presidente Barack Obama pedindo paz ao Oriente Médio, o líder terrorista internacional Osama Bin laden, em vídeo, fez novas ameaças aos Estados Unidos, agora pela ofensiva militar no Paquistão.

Foto: Presidente Raúl Castro
Surpreendentemente, o Governo de Cuba, liderado pelo presidente Raúl Castro, agradeceu mas recusou a idéia de voltar aos quadros da OEA-Organização dos Estados Americanos, depois que seus 34 países-membros decidiram, nessa semana, suspender a exclusão de Havana em vigor desde 1962. Como o retorno de Cuba à OEA ficou condicionado a um “processo de diálogo”, que inclui a revisão de sua política sobre direitos humanos, Havana rejeitou a proposta dos Estados americanos.
Com a economia em crise e o Parlamento cercado de denúncias de uso indevido do dinheiro público, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown passou a semana ameaçado de renúncia.Mas diz que fica no cargo.

Foto: Presidente Barack Obama

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