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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 06/09/2009

AS URGÊNCIAS DO PRÉ-SAL
O modelo de exploração das gigantescas camadas do pré-sal apresentado pelo governo essa semana constitui, ainda que de maneira moderada, uma relativa guinada em relação a uma lógica subjacente a todo o governo do presidente Lula. A proposta, baseada no sistema de partilha e com a previsão de uma participação especial da Petrobras significa, certamente, uma visão mais estatizante do que o modelo de exploração do petróleo nacional concebida e implantada pelo governo do PSDB no final da década de 1990. Ou seja, não se trata mais de uma mera reprodução de modelos tucanos com o acréscimo de facetas sociais ou de compensações marginais para grupos subordinados, mas sim de um reconhecimento vital da inegável função estratégica e soberana que um recurso energético específico tem a desempenhar no futuro do país. É uma mudança de rumos considerável até mesmo quando comparada não com a gestão FHC, mas com a do próprio Lula, que até então vinha impulsionando sem maio-res pudores, por meio de rodadas de licitações, a concessão de exploração de extensos blocos petrolíferos para as multinacionais do setor. Neste sentido, as vigorosas críticas feitas por Lula ao modelo tucano durante o lançamento da nova arquitetura legal de exploração podem até não ser injustas,
mas sem dúvida carregam em si alguma dose de hipocrisia, visto



que até pouco tempo o Presidente o adotava livremente. A proposta, evidentemente, tem seus limites. A começar pelo fato de que cerca de 30% da área do pré-sal já foi disponibilizada para o capital internacional por meio de licitações e fica de fora do novo modelo. A necessidade de aportes fi-nanceiros para a Petrobras, que será atendida com captação de recursos no mercado,

também pode significar uma adicional desconfiguração da estatal como tal. E o modelo de partilha, não deixa de significar, parcialmente, a entrega de um valioso recurso natural para as forças estrangeiras do setor. Politicamente, porém, o desafio maior parece ser não do governo, mas sim da oposição. Claramente insatisfeita com a desconstrução do seu legado jurídico para o setor, PSDB e DEM têm dificuldades, contudo, em atacar abertamente o papel especial atribuído pelo governo a Petrobras ou mesmo para defender o modelo de con-cessões. O tom nacionalista de Lula tende a agradar mais o grosso da população do que a sanha privatizante que marcou a abertura do mercado durante a gestão FHC. Neste sentido, a oposição mais uma vez se entrega quando reclama dos potenciais dividendos eleitorais a serem recolhidos pela ministra Dilma Rousseff, com o novo modelo. Fosse ele um recuo ou um desastre, a oposição buscaria justamente atrelá-lo a Dilma, e não lamentar essa vinculação. Restou protestar contra a urgência constitucional pedida por Lula para a apreciação do projeto no Congresso, uma ação que levanta dúvidas sobre se a oposição não pretende, afinal, apenas adiar a implantação do novo modelo para quando um dos seus estiver ocupando o Palácio do Planalto e puder, ele próprio, descartá-lo. Se for isso, quem precisa, com urgência, se encontrar, é a oposição.



PRISÕES- Por ordem judicial, começaram no Chile as prisões de 129 ex-agentes da ditadura de Augusto Pinochet. Entre eles, estão 25 ex-agentes do serviço secreto de Pinochet, 64 militares do Exército e 32 policiais. Alguns deles nunca haviam sido denunciados.

Queda de Obama
Caudilho na Colômbia
Queda de Cristina
Presidente dos EUA, Barack Obama, está vivendo um momento dramático de perda de popularidade. Com 46% de aprovação, caiu 16 pontos em relação ao que tinha no início do Governo.

Foto: Presidente Raúl Castro
Aprovação do projeto de referendo popular para o terceiro mandato do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, é mais um evento da febre de caudilhos e semiditadores que toma conta da América Latina. É exemplo do presidente ditador da Venezuela, Hugo Chávez, no poder desde 1999,fazendo escola. Seguiram-no os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa. Agora é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que tenta a mesma coisa e vai conseguir.
Com os produtores rurais em clima de guerra, a presidente argentina Cristina Kirchner está no seu nível mais baixo de popularidade desde que assumiu o Governo: acumula queda de 20%

Foto: Presidente Barack Obama

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