| Como
conseqüência das novas decisões de Hugo Chávez, a Petrobras poderá abandonar
os projetos de exploração em campos da Venezuela que podem produzir até
600 mil barris diários. |
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DUPLA DE MUITO BARULHO |
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Democracia
com liberdade econômica ou autoritarismo com estatização econômica?
Pelos seus atos de nacionalização e controle total da produção
e da comercialização de suas reservas petrolíferas, os presidentes
da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, dão
mais uma demonstração do neopopulismo que ameaça a América
Latina. Com a imposição de medidas de força, aparentemente
legitimadas por massas mobilizadas por seus Governos, eles
estão assustando o Brasil que tem interesses estratégicos
nos dois países e porque seus modelos autocráticos começam
a gerar um clima de instabilidade.
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Em defesa da “plena soberanía petrolera”, a decisão do presidente
Hugo Chávez afeta as empresas estrangeiras que exploram petróleo
na Venezuela, inclusive a Petrobras. Em janeiro de 2006, forçada
por decreto bolivariano, a estatal brasileira transferiu para
a estatal venezuelana PDVSA o controle de suas atividades no
país, que se resumem hoje à produção de 30 mil barris diários
de petróleo. Agora, com a nacionalização feita por Chávez, a
Petrobras deverá abandonar os projetos para exploração nos campos
de Carabobo e de Orinoco, que podem produzir 600 mil barris
diários e estão avaliados em US$ 30 bilhões. É com essa força
de oitavo maior exportador mundial de petróleo que o presidente
venezuelano desenvolve sua retórica revolucionária e sua petrodiplo-macia.
Até o final deste mês, as |
companhias petrolíferas estrangeiras – americana, britânica,
francesa e brasileira – estarão discutindo a indenização de
seus investimentos diante de um conflito já anunciado: como
as demais, as Petrobras quer preço de mercado, mas o Governo
da Venezuela só quer pagar o valor contábil. Para agravar a
situação, além das restrições impostas à Petrobras, Hugo Chávez
está fazendo coro ao presidente e ditador cubano Fidel Castro
nas críticas ao programa etanol que vem sendo defendido pelo
presidente Lula como revolução energética indispensável aos
países desenvolvidos e em desenvolvimento. Do lado da Bolívia,
o presidente Evo Morales também está investindo forte contra
as multinacionais que operam no país. Agora, com o controle
total da produção e da comercialização de petróleo e de gás,
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concluindo um processo de nacionalização iniciado há um ano,
a estatal boliviana YPFB poderá retomar as duas refinarias da
Petrobras. Morales só tem o que o festejar em seu discurso populista:
as receitas triplicaram, chegando a US$ 1,6 bilhão, aumento
de 502%. Somente a Petrobrás já desembolsou US$ 320 milhões
a mais em impostos. Operadora nos campos de San Alberto e San
Antonio, a Petrobras não é mais sócia de risco compartilhado
no negócio e, sim, apenas uma prestadora de serviços controlada
pela YPFB, sendo remunerada por percentual de produção. Para
o Governo Lula isso é motivo de apreensão porque será difícil
um acordo de indenização dos investimentos feitos pela empresa
brasileira. Enquanto a Petrobras insiste em receber US$ 200
milhões, o presidente |
Evo Morales manifesta-se disposto a pagar apenas R$ 70 milhões,
quase somente um terço de ressarcimento. Além disso, a Bolívia
ameaça o Brasil com redução nas exportações de gás e o Brasil
simplesmente não tem fonte alternativa. Estudo do instituto
Latinobarômetro, mostra que o Brasil é o país considerado mais
amigo e com o qual a maioria dos nações latino-americanas quer
relacionamento. Entretanto, está ficando cada vez mais difícil
a desejada integração regional com os discursos demagógicos,
neopopulistas e revolucionários de Chávez e Evo insuflando venezuela-nos
e bolivianos contra os “inimigos estrangeiros” e em defesa da
“plena soberanía petrolera” e do “socialismo do século XXI”,
gerando desconfiança, insegurança, tensão, conflito e instabilidade. |
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Enquanto
a Petrobras insiste junto à Bolívia numa indenização de R$ 200 milhões pelos
investimentos feitos no país, o presidente Evo Morales está disposto a pagar
apenas R$ 70 milhões. |