Dilma Rousseff


Candidata de Lula à Presidência em 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, está sob fogo cruzado e perdida no tiroteio de repúdio ao seu dossiê de gastos sigilosos do Governo FHC.
PERDIDA EM FESTIVAL DE MENTIRAS
Embora o presidente Lula tenha mobilizado seus ministros e principais líderes aliados no Congresso em defesa de sua candidata preferida para a sucessão em 2010, a poderosa e durona ministra Dilma Rousseff (foto), alvo central do mais novo escândalo do Governo, o dossiê preparado pelo Palácio do Planalto contra o ex-presidente FHC, está cada vez mais enrolada. Suas explicações e versões, sem coerência, sem fundamento e sem sustentação, imediatamente desmentidas, criaram uma situação embaraçosa e comprometedora, deixando a ministra em apuros e a sua Casa Civil transformada em Casa da Mentira, mentora dos aloprados do Governo Lula.

Como o estouro do dossiê, há 15 dias, revelado pela revista Veja, ganhou vários e acelerados desdobramentos, fugindo ao controle do Governo e do seu possível objetivo original – intimidar a oposição na CPI dos Cartões para evitar a convocação da ministra Dilma Rousseff e a divulgação das despesas secretas dos familiares de Lula – o que está mais evidente é uma seqüência de mentiras oficiais, semelhantes às do tempo da Casa Civil chefiada pelo ministro José Dirceu, denunciado pelo Ministério Público e pelo Supremo como chefe da quadrilha do Mensalão, maior escândalo de cor-rupção na história da República, ou da violação das contas caseiro Fracenildo Costa pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, até hoje enrolado na Justiça. De acordo com o manual de regras ma-quiavélicas e de cinismo do PT, primeiro, Dilma teve o requinte de telefonar para a ex-primeira dama, Ruth Cardoso, dizendo-lhe não existir nada do que estava sendo divulgado sobre gastos do Governo FHC com cartões corporativos desde 1998. Em seguida, o próprio presidente Lula saiu em defesa agressiva da ministra classificando a denúncia de grossa mentira. Com a descoberta de que o dossiê havia sido preparado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a ministra passou, então, a admitir que se tratava de “apenas um banquinho de dados”. Mais tarde, em contradição, a própria revelou ser “um banco de dados com 20 mil informações”. Depois, sob pressão e vendo o escândalo virar para o Governo Lula um tiro pela culatra, argumentou que o levantamento sobre os gastos sigilosos de FHC tinha sido feito por determinação do TCU. Foi desmentida pelo próprio TCU. Justificou, então, que o trabalho atendia a pedido da CPI dos Cartões, também negado. Diante do abismo de tantas mentiras geradas pela sua própria Casa Civil e já aceitando, implicitamente a existência do dossiê, Dilma Rousseff agora se refugia em torno da versão do “vazamento de informações”. E da ridícula idéia de existe um espião tucano dentro do Palácio do Planalto. Tudo para se livrar de qualquer responsabilidade quanto ao dossiê. E para desviar o foco. Com esse festival de mentiras da Casa Civil e faltando ainda inúmeras respostas sobre a verdade, escândalo do dossiê contra FHC, preparado na cozinha do Palácio do Planalto, está colocando o Governo Lula em pânico. Principalmente porque, assim como aconteceu com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, por ter autorizado a violação do sigilo bancário do caseiro Fracenildo Costa, Dilma poderá ser processada por crime de revelação de segredo, crime de ameaça e crime de responsabilidade, conforme o Código Penal. Por isso, desesperado, o Governo está lutando para evitar chumbo grosso da CPI dos Cartões contra sua candidata à Presidência em 2010 e procurando mais um bode expiatório. Enquanto não achar um modesto servidor para assumir o crime, a culpa é do ódio da oposição, do preconceito da imprensa e da conspiração das elites. Mas, a verdade é que no escandaloso Governo Lula, a mentira não tem perna curta. Nem perna tem.
Argumentos e versões frágeis e confusos da ministra Dilma Roussef sobre o dossiê do Governo contra FHC acabaram transformando a sua Casa Civil em palco de festival de mentiras.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva