O primeiro jornal fast-news do Brasil
FATORAMA
Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 06/04/2008

MIOPIA AGUDA
repressão do governo chinês aos manifestantes tibetanos e as crescentes deliberações de nações ameaçando vincular sua participação nos Jogos Olímpicos a uma ampliação das liberdades e garantias individuais na China desnudaram uma contradição central que brota no seio da comunidade mundial há anos. Diante de uma economia norte-americana em frangalhos, o país asiático é, hoje, uma garantia da continuidade do sistema econômico global, seja pela dimensão e intensidade de suas relações comerciais seja pela volumosa reserva de dólares que acumula, financiando estruturalmente os déficits dos Estados Unidos. Todo esse processo se consolidou nos últimos anos sem que a devida atenção para o fato de que a China permanece sendo uma brutal ditadura burocratizada fosse dada. Ora, desde que as multinacionais pudessem lá se instalar para explorar intensamente a mão-de-obra barata, maiores problemas não surgiram. Desde que a China continuasse a exercer seu papel central na dinami-zação da economia mundial, era possível se fazer vista grossa. As imagens de violência contra monges lembraram o mundo da sua deliberada miopia. Contudo, ainda mais estarrecedora é a miopia que permanece viva na observação conjuntural de alguns setores da política brasileira. Insistem em utilizar a China como





uma espécie de referência. È verdade que esse tipo de situação era mais corrente quando o Brasil ainda patinava em taxas de crescimento medíocres. Mas nem pelos 5,4% de expansão do Produto Interno Bruto brasileiro o “modelo” chinês deixou de povoar o imaginário e o discurso desses grupos. Um exemplo: a deputada

federal Manuela D’Ávila, eleita pelo PCdoB do Rio Grande do Sul nas últimas eleições. Sensação da política nacional pela sua juventude, beleza e força eleitoral. Tanto que alçou sua candidatura à Prefeitura de Porto Alegre neste ano e já desponta como uma das favoritas. Pois bem. Em entrevista a uma emissora de rádio logo após sua eleição como deputada, Manuela não poupou elogios à China. Atribuiu seu crescimento econômico à um suposto Estado fortalecido. A argumentação era ambígua. A lógica levava a crer que a deputada se referia a uma presença maior do ente estatal na economia. Mas os fatos sinalizavam que a “força” só podia estar se referindo à concentração de poderes políticos. Isso porque a China hoje é quase uma antítese do que deveria ser um Estado interventor na economia. Em muitos sentidos, o desenvolvimento do país asiático de hoje se assemelha bastante ao desenvolvimento primitivo do capitalismo na Europa de séculos atrás. Nada de organização sindical, salário mínimo, previdência e outros “mimos” alheios aos interesses da expansão da iniciativa privada, que detém cada vez mais controle sobre a economia chinesa. Ou seja, o que sobra para ser apropriado como modelo só pode estar ligado às práticas políticas autoritárias. Haja óculos corretivos.



IMIGRANTES - Embora esteja deportando estrangeiros, a Espanha precisará de dois milhões de imigrantes até 2020, ou seja, pelo menos 137 mil por ano. É grande a necessidade de mão-de-obra no País que tem uma população em acelerado envelhecimento e com baixa natalidade..

Turistas no Tibet
Mudanças em Cuba
Eleições Paraguaias
Finalmente, os turistas estrangeiros poderão visitar Lhasa, capital do Tibet, a partir de 1º de maio próximo. Cidade está isolada desde 14 de março como palco de confrontos entre monges e autoridades chinesas.

Dois meses depois de ter assumido a presidência de Cuba, substituindo o irmão, Fidel Castro, que está doente, Raúl Castro está surpreendendo com reformas graduais e progressivas. Agora, os cubanos já podem comprar computadores, eletrodomésticos e telefones celulares. E também podem se hospedar nos hotéis da ilha, antes reservados somente aos turistas. Depois de sentir esse gostinho, certamente, os cubanos vão exigir liberdades democráticas.
Fernando Lugo é o favorito nas eleições presidenciais do Paraguai, dia 20 próximo. Mas todos os candidatos defendem revisão dos valores que o Brasil paga ao Paraguai pela aquisição de 40% da energia de Itaipu.


MusaFatorama Tribuna Antônio Caraballo Magno Martins JB Serrra e Gurgel Entre Coluna Renato Riella
Jota Alcides Maura Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveria Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva