| Socorro
de US$ 850 bilhões do Governo Bush aos bancos e financeiras dos Estados
Unidos, sob quebradeira geral, não vai resolver a crise responsável por
rombo de US$ 1,3 trilhão. |
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DEPOIS DO FURACÃO, VEM DEPRESSÃO |
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Será
que os US$ 850 bilhões aprovados pelo Congresso americano
serão suficientes para resolver a crise financeira que devasta
os Estados Unidos e abala o mundo? Obviamente, não, porque
o rombo está calculado em mais de US$ 1,3 trilhão, podendo
chegar aos US$ 2 trilhões. E porque o Governo não vai conseguir
comprar tantos títulos podres para colocar o mercado em ordem.
Por isso, o presidente George Bush(foto), mesmo aliviado com
a aprovação do seu pacote de emergência pelo Congresso, é
a imagem de desolação, com apenas 27% de apoio dos americanos
e sob a tensão de uma grave crise que lembra a Grande Depressão
de 1929.
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Enquanto grandes bancos e financeiras dos Estados Unidos, que
concederam 15 milhões de hipotecas das quais 10 milhões não
serão pagas, estão beneficiados pelo socorro do Governo, após
a falência de grupos gigantescos nos últimos dias, oito mil
bancos pequenos aproveitam a crise para melhorar seus negócios
e atrair mais clientes. Deverão sair ganhando com a medida da
Casa Branca que aumentou de US$ 100 mil para US$ 200 mil o teto
de garantia aos depósitos bancários. Com isso, muitos americanos
estão correndo aos bancos pequenos temendo a quebradeira geral
dos grandes. Além do pânico no mercado financeiro, medo e apreensão
quanto ao futuro próximo tomam conta de milhões de norte-americanos
que compraram imóveis nos últimos anos e não estão conseguindo
pagar o |
financiamento. Mesmo com os US$ 850 bilhões aprovados pelo Congresso,
bancos e financeiras estimam que a turbulência permanecerá,
pelo menos, até 2010, pois o desmoronamento do setor imobiliário
é grande e os calotes estão aumentando. Diante disso, o Governo
Bush está socorrendo também, com US$ 300 bilhões, cerca de 400
mil mutuários que se apresentam em dificuldades. Eles deverão
trocar suas dívidas por empréstimos mais favoráveis. Estimativas
do mercado indicam que até o final deste ano, aproximadamente
dois milhões de residências serão tomadas pelos bancos por falta
de pagamento. E, em conseqüência da avalanche financeira, mais
de 40 milhões de imóveis nos Estados Unidos terão seus valores
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reduzidos. Como os efeitos dessa crise se alastram pelo mundo
inteiro, derrubando as bolsas e anunciando recessão econômica,
dirigentes da França, Alemanha, Itália e Inglaterra, os quatro
europeus do G7 – o grupo dos sete países mais ricos do mundo
– preparam reunião de cúpula da União Europeia, dia 15 de outubro,
para decisões sobre um plano de emergência contra essa catástrofe
financeira. Há uma proposta da França para que seja criado,
imediatamente, um fundo de 300 bilhões de euros. Estão todos
com a mesma certeza: não se trata mais de discutir se vai ter
ou não recessão mundial, mas de tentar reduzir seu impacto porque
ela já está chegando em quase toda a Europa. Exemplo: produção
industrial britânica registra agora sua maior queda em 17 anos.
Diante desse cenário |
tenebroso, o que o Brasil, anunciado pelo Governo Lula como
uma ilha de prosperidade, deve fazer, sensatamente, é seguir
o exemplo dos países europeus: adotar medidas que reduzam o
impacto da crise. Cenário dos próximos meses ou até anos já
está montado: dólar subindo, inflação subindo, exportações caindo,
crédito caindo, produção caindo, consumo caindo e emprego caindo.
Felizmente, o presidente Lula mudou o seu discurso otimista
e já assume um tom mais realista. Mas seu Governo tem que ser
preventivo porque o pior está por vir para todo mundo. Até Bush,
o mais desolado e o mais isolado governante americano da história,
com a responsabilidade de resolver essa crise e evitar uma repetição
da Depressão de 1929, ainda sente que não chegou ao fundo do
poço. |
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Depois
de abandonar o discurso otimista de que o Brasil é uma ilha de prosperidade,
Governo Lula agora precisa agir preventivamente para reduzir impacto da
catástrofe financeira internacional. |