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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 05/10/2008

APOSTAS ALTAS NOS EUA
esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pegando carona na expressão que já vinha sendo utilizada por críticos da política de desregulamentação norte-americana, classificou a economia dos Estados Unidos como um grande “cassino”. A expressão é incapaz de capturar com exatidão os mecanismos que desencadearam a crise mundial. Uma outra analogia, correlata, pode se revelar mais útil. O pôquer, muitos sabem, é um dos jogos de cartas de maior sucesso na maioria dos cassinos do mundo. Quem o joga, entretanto, entende que a dinâmica do jogo envolve muito mais a inteligência e o cálculo de riscos do que propria mente a sorte. Grande parte do jogo, bem sabem seus praticantes, está na esguia prática do blefe. Nos últimos anos, a potência mundial que hoje treme diante das incertezas que a próxima mão lhe pode trazer, bem como seus aliados mais próximos, blefaram como nunca. Seus teóricos na linha de frente da batalha proclamaram o fim da história e sepultaram as construções ideológicas que não se rendessem à busca, para não dizer endeusamento, do livre mercado, enquanto ofereciam cada vez mais proteção e subsídios para suas empresas. Encarregaram-se de disseminar, por todo o globo, contos relacionados às maravilhas que aguardavam as populações mundiais uma vez que a força irresistível




da globalização a tudo varresse enquanto construíam muros e reforçavam fronteiras para manter estas próprias populações afastadas. Um bom mentiroso, dizem, é aquele capaz de se entregar de tal maneira ao relato de uma inverdade que ele mesmo passa a acreditar nela. No que tange ao sistema

financeiro, os Estados Unidos seguiram à risca essa percepção e promoveu com voracidade a desregulamentação, retirando do Estado qualquer possibilidade de controle. Neste sentido, o socorro de U$ 850 bilhões proposto pela Casa Branca é uma tentativa de bancar as apostas feitas durante o blefe. Em tempos do que está sendo considerada a tentativa de maior intervenção estatal na história do capitalismo, o debate entre neoliberais e keynesianos voltou à tona com todo vigor. A crítica marxista, por sua vez, nunca opôs o Estado ao mercado. Pelo contráúrio, sempre entendeu que o primeiro era fundamental para garantir a reprodução do segundo. Teóricos como Ralph Miliband, por exemplo, argumentaram a necessidade de que o Estado mantivesse relativa autonomia dos capitalistas individuais, para que pudesse promover os interesses do sistema como um todo, muitas vezes adversos aos interesses imediatos de uma ou outra fração do capital. Sob esse ponto de vista, não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro, em maior ou menor intensidade, muita dessa autonomia se perdeu. O fato de que Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e arquiteto do plano de resgate financeiro, era até pouco tempo um dos principais executivos de Wall Street, não é reconfortante. As apostas continuam. Mais altas do que nunca.



VIOLÊNCIA - Com o Governo Hugo Chávez, Caracas, a capital venezuelana, de 3,2 milhões de habitantes, entrou para a lista das cidades mais violentas do mundo. Sua taxa de homicídios subiu 67%. Atualmente, a taxa é de 130 homicídios/ano para cada 100 mil pessoas. É a maior da América do Sul.

Obama e a Crise
Rejeição Histórica
Estilo Sarah
De acordo com recentes pesquisas, 48% dos americanos confiam mais no democrata Barack Obama, contra 41% em John McCain, para comandar os Estados Unidos diante da grave crise financeira internacional.

Um presidente derrotado e sem credibilidade para mais nada. É o presidente George Bush, com 70% de rejeição dos norte-americanos, uma impopularidade histórica. Conforme pesquisas dessa semana, três em cada dez entrevistados nos Estados Unidos colocam Bush como o principal responsável pela crise econômico que começou com a explosão do mercado imobiliário. Mais: 72% consideram que o Governo Bush teve atuação ruim na condução da economia.
Enquanto John McCain perde pontos para Barack Obama, sua vice, Sarah Palin conquista o público norte-americano. Com jeito de atrevida, corajosa, decidida, um falar quase popular e sempre sorridente.


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