DESGOVERNO E DESCALABRO
Vergonha, descalabro, inércia, irresponsabili-dade, incompetência, negligência, ineficiência, falta de autoridade, indignidade, má gestão, falta de compostura, desumanidade. O que mais podemos dizer sobre o desempenho do Governo Federal nesta absurda crise aérea, que daqui a pouco completará um ano? Uma crise que junta alienação política com desgoverno. São alienados porque minimizam o problema e sempre culpam os outros pelos próprios tropeços. Estão desgovernados porque batem cabeça, sem liderança, enquanto os brasileiros morrem em acidentes aéreos e sofrem de forma desumana nos aeroportos. Nunca antes na história deste País um Presidente da República demorou tanto a vir a público para prestar solidariedade diante de uma tragédia como a ocorrida no Aeroporto de Congonhas. Nunca antes na história deste País um Governo foi tão trapalhão durante uma crise. Nunca na história deste País um Governo ousou transformar uma agência reguladora em cabide de empregos para aloprados de plantão. O mais sério é que desta vez os apadrinhados lidam com vidas humanas. E o resultado está aí. A pane do sistema aeronáutico brasileiro decorre do gigantismo que o Governo implementou à sua estrutura, com 37 Ministérios e Secretarias Especiais. No caso do setor aéreo, inexiste planejamento, inexiste articulação entre o Comando da Aeronáutica, a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero. São várias cabeças e nenhuma delas age objetivamente para enfrentar o problema. O Governo Lula está na contramão de qualquer




Jarbas Vasconcelos *



"Uma crise que junta alienação política com desgoverno.Quantos “mártires da incompetência” serão necessários para o Governo Lula cumprir sua obrigação?”
regra moderna de administração, seja ela pública ou privada. O Presidente impôs um “conceito novo” de gestão – dividir para não governar. O que importa mesmo para os acólitos do Planalto é continuar viajando pelo País, vendo o Presidente falar além do necessário, dizer as sandices de sempre. A verdade é que as asneiras e as tolices governamentais se acumulam. O volume de despautérios das autoridades federais daria para escrever um livro. Será que esta tragédia anunciada não foi prevista após quase um ano de “reuniões de emergência” convocadas pelo Presidente da República? Um ano de promessas vazias. Um ano de tolices ditas por ministros e outras autoridades que parecem debochar do problema. Basta a crise aparecer para que ressuscitem o golpismo, o ataque da Imprensa, das elites. O Governo precisa perceber que as vítimas não estão no Palácio do Planalto e nem na Esplanada dos Ministérios. As vítimas estão nos aeroportos brasileiros. Quantos “mártires da incompetência” serão necessários para o Governo Lula cumprir sua obrigação? O Congresso Nacional, o Senado em especial, precisa exercer seu papel com independência. O Executivo não vai nos usar para esconder suas falhas, seus desvios. Não podemos ignorar ou jogar para debaixo do tapete a completa e alarmante inoperância do Governo Federal. Um caos que não recebeu a atenção devida do presidente da República. Cabe ao Congresso Nacional ir às últimas conseqüências.
* Jarbas Vasconcelos, senador do PMDB de Pernambuco.

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