aríssimo
Ludenbergue Góes: realmente estive ausente durante alguns dias (17 para
ser preciso). É que tive de viajar pela TAM. Então fiquei 13 dias no aeroporto,
esperando a chamada para o vôo, mais 14hs dentro do aparelho até que todos
os passageiros fossem gentilmente convidados a deixá-lo após constatada
pane na turbina esquerda. Seguiram-se mais outras 12hs de novo à bordo,
mas ouvindo a interminável discussão na cabine de comando. O piloto-master
queria voar com o “reverso” pinado; o co-piloto, jovem ousado - e eu diria
até temerário - dizendo que não acionaria a turbina do seu lado |
(esquerdo) com o reverso pinado. Discussão que transbordou para o setor
de passageiros, onde, depois de muito bate-boca de muita barrinha de cereais
(o vôo era da TAM, mas o “cattering” era da Gol) fez-se um plebiscito. O
resultado (118 pró-reverso pinado contra 116) espantou muita gente – afinal
havia indícios de superlotação da aeronave – o que motivou um pedido de
mandado de segurança por parte de um grupo de advogados que seguia para
uma reunião da OAB - e, numa decorrência natural do sistema jurídico do
País, uma imediata reação dos ganhadores, que entraram com um habeas-corpus.
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Nesse caos (perdão
pelo palavrão) perdemos mais três dias de idas e vindas aos tribunais
competentes. Quando finalmente alçamos vôo, eu já havia perdido a noção
do calendário, não sabia mais que dia, mês e nem
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em que ano estávamos. Isso para não falar nas tentativas de pouso (oito
no total) em Congonhas, seguidas de vigorosas arremetidas, tendo então o
comandante – o piloto-master – a gentileza de informar que, dadas as condições
atmosféricas vigentes em São Paulo, iríamos descer na Fazenda Paraíso, em
pleno pantanal Sul-Matogrossense, uma alternativa natural para quem arremete
em Congonhas. Mudança trouxe-me imensa satisfação, pois como você sabe,
sou de origem pantaneira. Poderia, assim, rever alguns nelores que conheci
ainda garotos - eu e os nelores |
- e dessa forma venturosa e aventureira, passaram-se os dias, sendo que
no final tudo acabou bem (no Brasil, tudo sempre acaba bem, e dou como exemplo
os jogos do Pan-Rio 2007). Pousamos tranquilamente no aeroporto de Tirirical,
em Teresina, onde apanhei um taxi e aqui estou outra vez, respondendo e
agradecendo a sua preocupação do amigo com o meu breve desaparecimento das
telas dos radares de Brasília, o que levou a uma operação padrão e posterior
prisão de vários sargentos-controladores considerados amotinados. Mas essa
é uma outra história. Abraços. |