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Trapalhadas
do Governo
agravam caos
aéreo nacional

Lula diz ao Conselho Político que nunca soube nada sobre crise aérea
rincipais companhias de aviação do Brasil agora denunciam que intervenção do Governo Lula criando uma nova malha aérea no País só vai aumentar o colapso nos aeroportos. Justificam que não têm condições de cumprir as novas medidas impostas pelo Conselho de Aviação Civil(Conac), que está cumprindo o papel regulador da Agência Nacional de Aviação Civil(Anac). Lula está tratando a Anac, politica e equivocadamente, como órgão de Governo quando é órgão do Estado. Após o ímpeto inicial, novo ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), está se arrefecendo diante do estresse mental do Governo. Soluções anunciadas não resolvem mas agravam a crise. Somente um Governo despreparado e incompetente administrativamente, que atropela o planejamento com bravatas, pode produzir tamanhas trapalhadas. Durante reunião do presidente Lula e seus ministros da coordenação política, com a presença do ministro Nelson Jobim, nessa semana, o Governo decidiu deixar de lado a sua idéia de construção de um novo aeroporto em São Paulo para conter o caos aéreo instalado no País, após informado, tecnicamente, de que a obra levaria, no mínimo, dez anos. É muito tempo para esperar, pois a situação é de emergência e “a malha aérea do País inteiro foi para o espaço”, como alerta o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. Precipitação: sem qualquer estudo preliminar, dia 20 de julho, três dias após a catástrofe com o airbus da TAM, desesperado para evitar maiores desgastes ao Governo, o próprio presidente Lula, em pronunciamento à Nação, e sua ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista coletiva, anunciaram o empreendimento como medida indispensável. Foi tão enfático o Presidente que chegou a fixar prazo de 90 dias para definição do


Ministro Nelson Jobim

de operação e de segurança exigindo reforma urgente. Conforme a Infraero, a pista de Guarulhos, de 3.700 metros, tem 22 anos de uso, vida útil ultrapassada em dois anos, nunca foi reformada e está cheia
pista. Não vai ser fácil. Em 2002, o Governo de São Paulo tentou a desapropriação da área, mas uma lei aprovada pela Câmara Municipal de Guarulhos permitiu aos moradores permanecerem na região. Para completar, depois de exigir a renúncia
local do novo aeroporto. Criticado e rejeitado pelo Governo, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, reagiu com ironia indicando que um novo aeroporto em São Paulo só ficaria pronto em 2050. Mesmo contrariado, Lula acabou recuando. Entre outras principais medidas para superar o caos aéreo, Lula e Dilma anteciparam a intenção do Governo de reduzir em 20% o fluxo diário de 712 vôos em Congonhas. Depois da decisão formal, essa semana, com a transferência de 151 vôos, em sua maioria para o aeroporto de Guarulhos, o Governo foi novamente surpreendido: Guarulhos, com 475 vôos diários, está saturado e no limite
de trincas e buracos em toda a sua extensão, que podem furar os pneus dos aviões e causar novos desastres. Com a pista sobrecarregada por mais 54 vôos de Congonhas, tudo ficará muito pior. Como o Governo está decidindo sem ouvir as empresas, suas medidas comprometem ainda mais a segurança dos võos. Guarulhos ainda tem outro problema sério que dificulta a construção de uma terceira pista como solução de emergência. O Governo precisará desapropriar vários bairros juntos ao aeroporto onde moram hoje mais de 20 mil pessoas, três mil delas quase na cabeceira da
coletiva da diretoria da Anac, o Governo desistiu e resolveu mantê-la. Mais do que isso, e incoerente, agora tenta reverter a percepção negativa que ele próprio criou em relação à Anac. Como novo ministro da Defesa, Nelson Jobim já detectou que a confusão mental do Governo, perdido diante da crise, é muito maior do que se imagina fora do Governo. Desordem é tão grande que quando mais nela se mexe mais se avoluma o atabalhoamento que só aumenta a desconfiança e a insegurança dos brasileiros quanto ao sistema aéreo nacional.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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