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indicações de gravações da caixa-preta do airbus da TAM, agora investigações
têm como foco central provável defeito mecânico do avião, pane eletrônica
e eventual falha dos pilotos. |
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CULPA DO GOVERNO NA TRAGÉDIA |
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Defeito
mecânico, pane eletrônica e falha humana. São os três fatores
que estão agora investigados entre causas centrais da explosão
do airbus da TAM em São Paulo, como indicam as gravações da
sua caixa-preta divulgadas, nessa semana, pela CPI do Apagão
Aéreo. Além dos últimos 25 segundos dramáticos antes da tragédia,
elas mostram que os pilotos fizeram de tudo para frear o avião
mas não conseguiram. Ministros e assessores do presidente
Lula(foto) e dirigentes do PT estão comemorando e acusando
a imprensa de ter feito julgamentos precipitados, mas o Governo
não está isento de responsabilidade. Qual é, então, a culpa
do Governo nesse desastre?
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Qualquer que seja o fator principal da catástrofe, que somente
será conhecido após a conclusão das perícias e investigações
ao longo dos próximos dez meses, os especialistas em acidentes
aeronáuticos são unânimes em relação ao seguinte: diálogos da
caixa-preta entre os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stephanin
e a torre de controle de Congonhas afirmam, reafirmam e confirmam
que a pista do aeroporto, no momento do pouso do airbus da TAM,
estava molhada e escorregadia, sendo um fator que, certamente,
contribuiu para a tragédia com 200 mortos carbonizados. Mesmo
que o Governo não seja culpado pela causa central do acidente,
ainda sob hipóteses e análises, tem culpa por causa secundária
importante, já comprovada e inquestionável. Primeiro: foi negligente
ao deixar |
de fazer, durante quatro anos, os investimentos necessários
em segurança nos mais importantes aeroportos brasileiros, incluindo
Congonhas, o mais movimento do País e da América do Sul, que
há muito tempo precisa ter sua pista principal ampliada e dotada
de área de escape, incrivelmente ainda inexistente. Segundo:
foi negligente ao liberar para operações uma pista de reforma
de R$ 20 milhões ainda inacabada, sobretudo sem as ranhuras
indispensáveis para escoamento das águas de chuvas e para garantir
aderência dos pneus dos aviões ao solo durante o pouso evitando
deslizamentos e acidentes. Terceiro: foi negligente ao deixar
de cumprir fiscalização rigorosa junto à empresa aérea para
verificação antecipada de eventuais problemas técnicos ou de
falhas de manutenção do avião acidentado. E |
quarto: foi negligente ao manter operações do aeroporto sob
condições de chuva em 17 de julho, dia da tragédia, desprezando
os preocupantes e veementes alertas de 12 pilotos de vôos diferentes
sobre os perigos da pista escorregadia que no dia anterior haviam
pré-anunciado uma tragédia depois da derrapagem de pequeno avião
da empresa Pantanal, felizmente sem vítimas. Quanto à causa
principal da tragédia, a abertura da caixa-preta pela CPI do
Apagão Aéreo, oferecendo ao público as gravações que muitos
queriam manter sigilosas, deixou mais dúvidas do que certezas.
Obviamente, o foco central das investigações agora está sobre
inesperados defeitos mecânicos e eletrônicos do avião ou falhas
dos pilotos, tendo em vista que os freios aerodinâmicos não
funcionaram e a manete direita estava em posição errada, |
de aceleração quando deveria estar em ponto morto. Essas hipóteses
eximem o Governo Lula de responsabilidade e portanto atendem
aos seus interesses e conveniências, mesmo porque os pilotos
não podem se defender já que estão mortos. Entretanto, seguramente,
o Governo Lula não tem nada a comemorar. Pelo contrário, sua
responsabilidade é total quanto ao caos aéreo instalado no País
há mais de dez meses. E, no mínimo, é parcial em relação ao
desastre com o airbus da TAM em São Paulo. Portanto, se o Governo,
relaxado na sua competência de investimentos em segurança nos
aeroportos brasileiros, não tem respeito às vidas de milhões
de brasileiros que precisam viajar de avião, que, pelo menos,
tenha respeito aos mortos nessa tragédia que mantém o Brasil
sob comoção e indignação. |
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Governo
Lula tem culpa na causa secundária da tragédia por negligência em investimentos
de segurança em Congonhas e liberado para operações uma pista inacabada
e perigosa sob chuva. |