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FATORAMA
Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 05/08/2007

ADEUS ÀS ILUSÕES
xecutiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, nessa semana, resolução conclamando a militância a reagir contra a “ofensiva da direita”, manifesta, segundo os autores do texto, na derrota da reforma política, nas vaias contra o presidente Lula e no tratamento dado por setores da imprensa ao acidente em Congonhas. Em primeiro lugar, seria necessário um elevado grau de miopia e crise de parâmetros de identidade para se colocar como “esquerda”, em oposição a essa direita que lança a ofensiva. Ora, a própria reforma política foi derrotada, em grande medida, devido a dissidências da própria heterogênea base do governo, que acolhe em seus seios, quem diria, a irrefutável direita política do País. Sim, porque direita não é só feita de Democratas, mas de PP, PTB, PL, o trio partidário medalha de ouro em número de deputados envolvidos em escândalos de corrupção e, quanta coincidência, os mais aguerridos defensores da inviabilização da reforma. É formada também, por atores do capital financeiro-industrial devidamente acolhidos e blindados em posições estratégicas do governo, da presidência do Banco Central a diversos ministérios, passando pelo comando de importantes autarquias e empresas públicas. Ela se manifesta, não só em eventuais vaias contra o governo, mas em uma série de decisões e resultados produzidos dentro dele próprio. Não





há mais ilusões nos movimentos da sociedade que faziam parte da base política do PT, em relação ao caráter de seu governo. Tanto que, no braço sindical, greves eclodem a revelia da Central Única dos Trabalhadores. No braço estudantil, a União Nacional dos Estudantes está de fora das principais mobilizações

do movimento, como a escalada de invasões de reitorias. Até mesmo o fiel Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra já trabalha com uma leitura de caráter do governo muito mais próxima da realidade. Não, a base de Lula hoje é outra. São aqueles setores que se escondem sobre a farsa da submissão à correlação de forças políticas, ao “estamos fazendo o que podia ser feito”, como tanto insiste o PCdoB, até aqueles setores despolitizados que não precisam desse tipo de discurso. Para esses, satisfeitos com o governo na medida da incapacidade de vislumbrar a efetiva distribuição dos recursos políticos e econômicos da sociedade brasileira, o discurso é outro. E Lula o faz muito bem. No Nordeste, o presidente comentou que a direita se irrita porque agora “pobre tem direito”. Na prática, Lula manda a Força Nacional de Segurança permanecer no Rio de Janeiro após o Pan para continuar reprimindo esse pobre, que não vê concretizado seu direito à educação de qualidade, à saúde, à condições dignas de vida. Esses, esquece o PT, não virão lhe socorrer da ofensiva a não ser em períodos eleitorais. E, mesmo em 2008 e 2010, a possibilidade do PT lucrar com o capital político do Presidente deve ser vista com cautela.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

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