Grave crise no Senado, deixando o presidente José Sarney na maior fragilidade
e ameaçado de CPI, está permitindo um recuo do Governo Lula quanto à possível
CPI da Petrobras, o que só aumenta mais ainda suas preocupações. |
|
CPI DO SARNEY OU CPI DA PETROBRAS |
|
Com
o agravamento da crise do Senado, deixando seu fragilizado
presidente José Sarney(foto) em situação insustentável, o
Governo Lula está em apuros diante de uma grande encrenca:
ou tem CPI do Sarney, para investigar todas as falcatruas
da Mesa Diretora do Senado, nos últimos 14 anos, ou tem CPI
da Petrobras, para investigar todas as falcatruas da empresa
sob a gestão do PT nos últimos seis anos. Se houver a primeira,
o Governo Lula corre o risco de perder o apoio do PMDB, principal
aliado em interminável projeto de poder; e se houver a segunda,
poderá sofrer um abalo superior ao do Mensalão, maior escândalo
de corrupção da história da República.
|
|
|
|
Por isso, o presidente Lula pediu ao senador José Sarney para
não tomar nenhuma decisão até a volta da viagem dele do exterior.
Crise do Senado chegou ao pior nível nessa semana, depois do
estouro do escândalo dos 663 atos secretos de sua Mesa Diretora,
que escondem os mais diferentes privilégios e as mais diversas
irregularidades com o dinheiro público, além das contas secretas
somando quase R$ 4 bilhões. Ao meio da semana, o presidente
Sarney já estava isolado sem o apoio de 36 dos 81 senadores.
Somente o PT, que no passado chamava publicamente Sarney de
corrupto, ficou na sua defesa. Coube à senadora Ideli Salvati(PT-SC)
apresentar, na tribuna, em discurso patético, a solidariedade
governista. Até o partido de Sarney, o PMDB, ficou dividido.
Levou cinco horas para preparar |
uma nota e no final saiu-se com essa de que tem “consciência
de suas responsabilidades”, o que em nada diminuiu a crise.
Decentes, os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro
Simon (PMDB-RS), manifestaram-se contra a permanência de Sarney
na presidência do Senado. Enquanto aumentaram as pressões dentro
do Senado e até de familiares para sua renúncia, começaram,
nos bastidores, articulações para sua sucessão. Um nome em pata:
senador Marco Maciel, ex-vice-presidente da República e ex-presidente
do Senado, considerado por todos, experiente, sensato e inatacável
do ponto de vista ético. Mais: chegou à Mesa Diretora pedido
do PSol para abertura de processo contra Sarney por quebra de
decoro parlamentar, ao mesmo tempo em que outros senadores já
trabalham com pensamento numa |
CPI contra Sarney. Daí a preocupação de Lula. Uma CPI contra
Sarney nos últimos 14 anos acabará envolvendo também o ex-presidente
do Senado, Renan Calheiros. Serão atingidos em cheio dois dos
maiores aliados do Governo dentro do PMDB e sem o PMDB Lula
não governa. Diante desse quadro ameaçador, algumas governistas
e assessores de Lula já defendem que é melhor aceitar a CPI
da Petrobras. E aí é um “Deus nos acuda”: 240 mil contratos
em andamento, centenas deles sem qualquer licitação, 72 mil
funcionários, 57 mil fornecedores, investimentos de US$ 100
milhões de dólares por dia e muitas irregularidades em superfatura-mentos,
desvios de recursos públicos, salários abusivos de executivos
e as mais diversas fraudes beneficiando sobretudo o PT. É tão
grave que a Petrobras tem feito |
tudo para impedir auditorias e investigações do TCU. Para se
defender do fogo dessa CPI, por ordem de Lula, o presidente
da Petrobras, Sérgio Gabrielli, já montou num verdadeiro exército
de advogados, consultores e técnicos em Brasília. Mais de 200
pessoas dedicadas integralmente ao combate no Congresso. Motivo:
O Governo Lula está morrendo de medo dessa CPI porque ela poderá
atingir a ministra-candidata Dilma Rousseff, que faz parte da
direção de ONG que recebe R$ 15 milhões por ano da Petrobras,
e virar um escândalo superior ao do Mensalão, até agora o maior
em corrupção da história da República. Ou seja, com CPI do Sarney
ou CPI da Petrobras, o Governo Lula está numa grande encrenca:
crise do Sarney virou crise do Governo. |
|
|
Governo
Lula está em apuros diante da possibilidade de enfrentar CPI do Sarney ou
CPI da Petrobras, cujos efeitos podem ser devastadores no projeto de poder
do PT e na própria sucessão presidencial na eleição do próximo ano. |