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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 05/04/2009

LEGITIMIDADE MANIPULADA DO “CHIQUE”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu, em dias de reunião do G-20, nessa semana, em Londres, para discutir soluções para a crise econômica global, estrelato muito maior do que aquele ostentado no passado pelo então sociólogo respeitado internacionalmente e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor. No mundo da alta cúpula política global, não há espaços para o ofuscamento de Lula por figuras polêmicas como Hugo Chávez, algo muito mais comum em reuniões que se limitam à geografia latino-americana. O presidente brasileiro recebeu elogios de Barack Obama e conquistou terreno privilegiado diante do restante dos líderes mundiais, um tanto quanto expressão concreta dos ventos que levam, com a deterioração das condições econômicas, o restrito grupo da governança global a se abrir para novos atores do porte do Brasil. Mais importante que a popularidade internacional de Lula, no entanto, foi o anúncio de que o Brasil não deixará de se juntar aos esforços globais no sentido de capitalizar o Fundo Monetário Internacional. Analisando a questão de um ponto de vista puramente diplomático, é evidente que o País, há certo tempo um pretendente ansioso a um papel mais protagonista na institucionalidade de




poder global, não poderia abrir mão de participar da tentativa orquestrada de salvar o capitalismo mundial dos impasses que o afligem. O fato de que não há previsão precisa para o volume desse aporte, nem para quando será efetivado, ilustra o caráter fortemente simbólico da iniciativa

Mais reveladora de como Lula dá sentido as relações de poder que o cerca e reconfigura interpretações de sua trajetória histórica, no entanto, foi a maneira pela qual o presidente justificou a ajuda brasileira ao até pouco tempo todo-poderoso órgão das finanças globais. Lula lembrou do seu remoto passado de ativista e dos protestos contra o FMI que fizeram parte dele, para em seguida indagar quão “chique” seria, agora, a inversão dos papéis e a ajuda do governo brasileiro à instituição financeira mundial. Não é a primeira vez que o presidente Lula, astutamente, utiliza os traços combativos de seu conhecido passado político para justificar opções moderadas ou conservadoras do presente. Ele abusa, na verdade, de tal mecanismo, haja vista a famosa relação estabelecida por ele entre idade e ideologia, a maneira como assume suas derrotas eleitorais e interpreta as transformações pelas quais passou para transformá-las em vitórias e até mesmo o tom paternalista que utiliza com os líderes sindicais da atualidade. É o Lula sindicalista do passado a ser utilizado como uma inesgotável fonte de legitimidade para o Lula oportunista do presente, não importa o abismo de contradições e negações que separa os dois.



PROTESTOS - Enquanto se realizava a reunião do G-20, nessa semana, o centro financeiro de Londres virou uma praça de guerra. Cerca de quatro mil manifestantes entraram em confronto com a polícia. O grito de protesto era: “Façam uma fogueira e coloquem os banqueiros nela”

Novo Capitalismo
Alerta de Obama
Elegância Simples
Para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na reunião do G-20 em Londres, a grave crise atual está colocando o mundo “diante de oportunidade histórica para moralizar o capitalismo”.

Durante a reunião dos líderes dos países que formam o G-20, eles decidiram injetar mais US$ 1 trilhão para socorrer as economias dos países que não estão conseguindo superar suas dificuldades financeiras. Até o Brasil vai colocar dinheiro à disposição para ajudar em solução da crise global. Tudo conforme o discurso do presidente Barack Obama, que alertou: “Os EUA não podem ser o único motor do crescimento econômico mundial. Todo mundo vai precisar empurrar junto”.
Em tempo de crise, o mais elegante é roupa simples. Foi a lição da primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, ao acompanhar seu marido à reunião do G-20 realizada, em Londres.


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