Dilma Rousseff


Depois de um mês e meio de escândalo, ministra Dilma Rousseff terá que explicar, dossiê contra FHC à Comissão de Infra-Estrutura do Senado e à Comissão de Ética.
PRESSÃO PARA EXPLICAR DOSSIÊ
Embora esteja sendo até deselegante e grosseira com o Congresso e a mídia, recusando-se a prestar esclarecimentos, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (foto), pré-candidata à Presidência da República, vai ter que explicar nesta semana, em duas ocasiões, a montagem do dossiê sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: quarta-feira, dia 7, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, e até quinta-feira, dia 8, à Comissão de Ética Pública Federal. Desde que estourou o escândalo do dossiê, para 40% dos brasileiros elaborado na Casa Civil, visando intimidar a oposição no Congresso, ninguém foi demitido ou punido.

Depois de sua viagem em busca de prestígio internacional, nos últimos dias, aos Estados Unidos, onde foi discutir tributação com o Governo Bush, e ao Japão, onde foi participar da cerimônia dos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil, sendo tratada em Tóquio como Chefe de Estado e anunciada como “a mais promissora candidata do Partido dos Trabalhadores para o próxima eleição presidencial brasileira”, Dilma Rousseff terá agora que esclarecer o dossiê após ela mesma ter divulgado tantas e variadas versões duvidosas, suspeitas, inconsistentes e contraditórias. Sabe-se que a ministra da Casa Civil deflagrou a operação de montagem do dossiê a partir do dia 1º de fevereiro deste ano, orientando ministros para coleta de informações sobre gastos do ex-presidente FHC, como troco à oposição na CPI dos Cartões por sua insistência para ter acesso e divulgar os gastos secretos do presidente Lula e seus familiares. Logo após descoberta a farra com os cartões corporativos por inex-pressivos ministros, como Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, Dilma Rousseff confessou em tom de desabafo: “Não vamos apanhar quietos”. Com a revelação do dossiê, em 22 de março, Dilma Rousseff adotou, então, uma seqüência de versões desmentidas uma após outra: primeiro, que a denúncia era uma mentira; depois, que tinha providenciado apenas “um banquinho de dados”; em seguida, que o trabalho tinha sido feito por determinação do TCU, o que foi negado; e, flagrada em mentiras, acabou espalhando a hipótese maluca de que um espião tucano no Palácio do Planalto seria o responsável pelo vazamento do dossiê, para evitar ser responsabilidade pelo crime. Caindo em apuros, por suas versões insustentáveis, mandou assessores ao TCU pedir manutenção de sigilo absoluto sobre os gastos secretos de Lula e seus familiares, feitos através de agentes de segurança. Durante todo esse período, por orientação de Lula, o Governo e seus líderes petistas e aliados no Congresso fizeram tudo, sem cerimônia e sem vergonha, blindando a ministra para evitar sua convocação pela CPI dos Cartões. Barraram todas as iniciativas da CPI nesse sentido. Ela própria deu evidente demonstração de desprezo e desrespeito ao Congresso dizendo que não iria lá depor sobre o dossiê por “ter mais o que fazer”. E nessa semana, em Washington, confirmou sua postura arrogante e autoritária, ao dar bronca nos jornalistas porque lhe perguntaram sobre a autoria do dossiê sob investigação do caso da Polícia Federal. “Vocês devem perguntar à Polícia Federal porque o Governo não tem conhecimento disso. Acho que não tem cabimento eu estar aqui e ter que responder questões sobre o Brasil”, declarou a ministra, irritada, em entrevista após encontro na Câmara do Comércio dos EUA. Provavelmente, ela precisa saber que não tem cabimento é a conduta aética desse Governo, manipulando informações contra adversários, fazendo chantagem e se dizendo alvo de chantagem, transformando vítimas em acusados e usando mentiras no lugar da verdade. Como também aconteceu no episódio de violação da conta bancária do caseiro. Um dia a casa cai, mesmo sendo a poderosa Casa Civil.
Com postura arrogante e autoritária, Dilma Rousseff tem demonstrado desprezo pelo Congresso e desconsideração à mídia, recusando-se, até grosseiramente, a esclarecer dossiê da Casa Civil.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
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